O julgamento a júri popular de dois policiais militares acusados pela morte do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, foi adiado nesta terça-feira (10) no Rio de Janeiro. Inicialmente previsto para o dia 27 de janeiro, o processo foi suspenso após divergências envolvendo uma prova apresentada pela Defensoria Pública do Rio, gerando revolta entre familiares e amigos da vítima.
Adiamento causa comoção e protestos
A decisão do adiamento provocou forte emoção entre os presentes no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A mãe do adolescente, Priscila Menezes, chegou a desmaiar durante o anúncio. Antes da sessão, parentes de Thiago e representantes de movimentos contra a violência policial realizaram uma manifestação em frente ao prédio do tribunal, no Centro da capital fluminense.
Os acusados e as acusações
Os policiais militares do Batalhão de Choque Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria respondem por homicídio e fraude processual. Eles admitiram ter efetuado os disparos que mataram Thiago durante uma operação na comunidade da Cidade de Deus, Zona Sudoeste do Rio, em 2023.
Segundo a denúncia, os dois estavam em um carro particular utilizado para uma operação ilegal, denominada Tróia. Os PMs alegaram que Thiago portava uma arma e teria disparado contra eles, mas investigações posteriores contestaram essa versão.
Contradições nas versões do caso
A família e testemunhas afirmam que não havia confronto no local e que Thiago foi executado por um policial quando já estava caído no chão, de costas. Durante o processo, a defesa de Diego Pereira Leal sustentou que o adolescente era integrante do tráfico da Cidade de Deus, apresentando conversas que supostamente o ligavam a uma liderança criminosa local.
No entanto, uma testemunha que estava com Thiago relatou que os dois estavam circulando na comunidade na motocicleta do pai do adolescente quando perderam o equilíbrio e caíram. Enquanto tentavam reerguer a moto, foram surpreendidos pela aproximação de um carro descaracterizado, de onde ocupantes saíram efetuando disparos.
Provas que desmentem versão policial
A investigação comprovou que Thiago levou três tiros: um na parte traseira da perna, um nas costas e outro que perfurou as duas canelas. O laudo de exame do local do homicídio não encontrou qualquer vestígio que sugerisse que o adolescente disparou contra os agentes.
Além disso, ficou estabelecido que nem Thiago nem o condutor da moto tinham ficha criminal ou envolvimento com o tráfico. Os dois policiais ainda respondem por fraude processual, acusados de manipular a cena do crime e plantar uma pistola 9 milímetros próximo ao corpo para sustentar a versão de confronto.
Outros envolvidos no processo
O julgamento pela fraude processual será realizado na auditoria da Justiça Militar. Além de Diego e Aslan, respondem os também cabos Silvio Gomes Santos e Roni Cordeiro de Lima, além do capitão Diego Geraldo Rocha de Souza.
Silvio e Roni também foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pelo homicídio de Thiago, mas a juíza Elizabeth Machado Louro entendeu que não havia indícios de autoria suficientes para levá-los a júri popular.
O caso continua a mobilizar atenção sobre a violência policial e a busca por justiça para famílias de vítimas em comunidades do Rio de Janeiro.