Morte de estudante da Uerj em abordagem policial gera revolta e protestos por justiça
Estudante da Uerj morto pela PM: revolta e exigência de justiça

Morte de universitário em abordagem policial revolta estudantes da Uerj e gera mobilização por justiça

A morte do estudante Leonardo Lobo, de 19 anos, durante uma abordagem policial no Rio de Janeiro, está causando profunda revolta e mobilizando a comunidade acadêmica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O Centro Acadêmico de História da instituição (Cahis-Uerj) publicou uma nota oficial exigindo justiça e esclarecimentos sobre o caso, que ocorreu na noite de domingo, 1º de fevereiro, em Vila Isabel, na Zona Norte da cidade.

Detalhes da abordagem e versões conflitantes

Leonardo Lobo, que era integrante do Pelotão Central da Torcida Jovem do Flamengo, voltava para casa após assistir a um jogo de seu time quando foi abordado por dois policiais militares. A Polícia Militar afirma que o jovem tentou tirar a pistola de um dos agentes durante a ação, o que teria levado ao confronto. No entanto, imagens de câmeras de segurança, parcialmente divulgadas, mostram uma luta corporal entre Leonardo e os PMs, na qual ele chega a arrancar o colete balístico de um dos policiais. É importante destacar que o trecho que registra o início da abordagem ainda não foi disponibilizado ao público, levantando questões sobre a transparência do caso.

Denúncia de violência estatal e exigências do movimento estudantil

Para o Centro Acadêmico de História, a morte de Leonardo é vista como um claro caso de violência estatal contra um jovem desarmado. De acordo com a nota publicada, o estudante foi atingido por tiros de fuzil disparados à queima-roupa, o que intensifica a gravidade das acusações. A entidade declarou enfaticamente que "não aceitará o silêncio" e vai cobrar uma punição rigorosa dos agentes envolvidos. No texto, há uma crítica contundente à atuação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), descrita como um instrumento histórico de extermínio que atinge majoritariamente a juventude negra e periférica.

Perfil de Leonardo Lobo e homenagens póstumas

Leonardo era um aluno ativo e engajado na Uerj, prestes a iniciar o terceiro período do curso de História. Ele também integrava a Comissão Organizadora da Calourada de 2026, demonstrando seu comprometimento com a vida universitária. Em homenagem póstuma, o Flamengo realizou um minuto de silêncio antes do jogo contra o Internacional, no Maracanã, na noite de quarta-feira, 4 de fevereiro, onde torcedores se uniram em respeito à memória do jovem.

Investigações em curso e mobilizações futuras

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que analisa as imagens de monitoramento para esclarecer os fatos. Paralelamente, a Corregedoria Geral da Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos PMs durante a abordagem. Em resposta à tragédia, a União Estadual dos Estudantes, junto ao Diretório Central de Estudantes da Uerj, organizou uma manifestação marcada para sexta-feira, 6 de fevereiro, em frente à universidade. O objetivo do protesto é pedir justiça por Leonardo e protestar contra a violência estatal, refletindo um movimento crescente de indignação entre os estudantes.

Este caso ressalta as tensões contínuas entre segurança pública e direitos civis no Brasil, especialmente em contextos urbanos como o Rio de Janeiro, onde abordagens policiais frequentemente geram debates acalorados sobre excessos e accountability.