A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Municipal de Porto Alegre ingressou com representações na Comissão de Ética e no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) contra o vereador Mauro Pinheiro (PP). O motivo foi o episódio em que ele arrancou o microfone das mãos da vereadora Juliana de Souza (PT) durante uma sessão plenária, após ela mencionar áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Entenda o caso
O incidente ocorreu na quarta-feira (13), enquanto a Câmara debatia a atualização do Plano Diretor de Porto Alegre, um projeto polêmico do prefeito Sebastião Melo (MDB). Juliana de Souza citou os áudios revelados pelo portal Intercept Brasil e confirmados pela TV Globo, nos quais Flávio Bolsonaro cobra dinheiro de Vorcaro. Imediatamente, Mauro Pinheiro se levantou e retirou o microfone da mão da vereadora, gerando tumulto.
O PT pediu a cassação do mandato de Pinheiro na Comissão de Ética, argumentando que sua conduta é incompatível com o decoro parlamentar e constitui um grave ataque ao exercício democrático do mandato de uma mulher eleita. Já Juliana de Souza formalizou denúncia na Ouvidoria Especializada de Gênero, Raça e Diversidades do TRE-RS, solicitando apuração como violência política de gênero.
Posicionamento de Mauro Pinheiro
Em nota, Mauro Pinheiro afirmou que o episódio não teve relação com a condição de mulher da parlamentar, mas sim com a condução dos trabalhos e a preservação da ordem regimental. Ele citou o artigo 192 do Regimento Interno da Câmara e disse que a manifestação de Juliana se afastava do tema em discussão. Pinheiro declarou que sempre teve respeito por todos os parlamentares, independentemente de gênero ou ideologia, e que a violência política de gênero é um tema sério que não deve ser banalizado.
Nas redes sociais, Pinheiro se descreve como combatente contra a esquerda e o comunismo, e já participou de manifestações a favor da anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro e contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
Repercussão
O caso gerou ampla repercussão. A vereadora Juliana de Souza classificou o ato como um ataque à liberdade de expressão e prometeu levar o caso às instâncias competentes. O PT também anunciou que acompanhará as investigações.
O áudio que motivou a discussão foi divulgado pelo Intercept Brasil e confirmado pela TV Globo. Nele, Flávio Bolsonaro supostamente cobra dinheiro de Daniel Vorcaro, em um contexto que ainda está sendo apurado.



