Onda de violência contra mulheres assusta a capital paulista
Uma série de casos brutais de violência doméstica chocou a Grande São Paulo em menos de 24 horas, resultando em duas mortes e uma tentativa de feminicídio. As agressões, ocorridas entre segunda-feira (23) e terça-feira (24), evidenciam a gravidade da violência contra mulheres na região metropolitana.
Flagrante em Guaianases: ex-companheiro esfaqueia mulher
Na noite de segunda-feira, a Polícia Civil de São Paulo prendeu Alex Barbosa da Silva, de 37 anos, acusado de esfaquear sua ex-companheira de 18 anos na Rua Carolina Brant, no bairro de Guaianases, Zona Leste da capital. O homem foi flagrado por câmeras de segurança cometendo o crime por volta das 19h, sendo encontrado a poucos metros do local minutos depois.
A vítima foi socorrida ao Hospital Geral de Guaianases e, segundo familiares, está fora de risco. Alex Barbosa já tinha histórico de violência doméstica e a faca utilizada na agressão foi apreendida pela polícia. O caso foi registrado na 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde a autoridade policial pediu a conversão do flagrante em prisão preventiva, atendida pela Justiça paulista.
Estudante de psicologia é estrangulada pelo ex-companheiro
Em Itapecerica da Serra, na segunda-feira (23), a estudante de psicologia Vitória Silva de Oliveira Pedroso, de 20 anos, foi morta pelo ex-companheiro Bruno Rodrigo Martins, de 25 anos. O corpo da jovem foi encontrado na Rua Júlio Manoel de Araújo após uma discussão, apresentando sinais de estrangulamento segundo a Guarda Civil Metropolitana (GCM) da cidade.
Bruno fugiu de moto após o crime, mas foi preso em flagrante por feminicídio. Ao ser detido, declarou que Vitória o havia traído e que estava arrependido. A defesa do acusado não foi localizada para comentar o caso.
Dados alarmantes: Vitória fazia parte do programa "Guardiã Maria da Penha" em Itapecerica da Serra, que monitora mulheres vítimas de violência doméstica com medidas protetivas. Um mês antes do feminicídio, ela havia acionado o botão do pânico após ser agredida pelo mesmo ex-companheiro, que foi detido na ocasião.
"Dia 25 [de janeiro] ela acionou o botão do pânico e nossas equipes foram até o local e conduziram o mesmo [Bruno] para a delegacia. Ela tinha sido agredida", relatou um agente da GCM. "O mesmo ficou à disposição da Justiça, porém, deve ter saído na audiência de custódia."
O guarda explicou ainda que Vitória mudou de endereço posteriormente sem atualizar o cadastro: "Possivelmente, ela reatou com ele e esse endereço não estava cadastrado no nosso sistema. E na data de hoje fomos acionados por populares e encontramos a vítima sem vida".
Mãe desesperada: jovem deixa três filhos após espancamento fatal
Na Zona Norte de São Paulo, a jovem Priscila Versão, de 22 anos, foi morta após ser espancada na segunda-feira (23). A mãe dela, Selma Alves Ribeiro da Silva, afirmou à TV Globo que a filha vivia um relacionamento abusivo e que já havia tentado convencê-la a se afastar do companheiro após episódios anteriores de agressão.
"Ela estava dentro de um relacionamento abusivo tóxico e estava doente emocionalmente. Eu lutei com todas as minhas forças. Fiz o que eu pude o que eu não pude para ela sair desse relacionamento", desabafou Selma.
Priscila trabalhava como autônoma e deixou três filhos: um de seis anos, outro de quatro anos e um bebê de seis meses. O companheiro dela, Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos, foi preso em flagrante por feminicídio. A defesa dele também não foi localizada.
Selma, que trabalha como faxineira, compartilhou sua angústia sobre o futuro: "Acabou para mim, não acredito em mais nada, não quero fazer mais nada, não vai ter como eu fazer mais nada. Não vai ter como eu trabalhar de dia ou como entrar em uma empresa de noite, porque eu tenho que cuidar dos filhinhos dela. Estou de mãos atadas".
Detalhes chocantes do último caso
Segundo familiares, Priscila e Deivit estavam em uma festa na Avenida Julio Bueno, no Jardim Brasil, quando a agressão aconteceu dentro do carro por volta das 4h30. Ela foi levada pelo companheiro ao Hospital Municipal Vereador José Storopoli, no Parque Novo Mundo, já sem sinais de vida.
O Guia de Encaminhamento de Cadáver registrou que a vítima apresentava marcas de agressão, hematomas, escoriações pelo corpo, sangramento no nariz e suas roupas tinham cheiro de gasolina.
De acordo com o boletim de ocorrência, Deivit chegou ao hospital com Priscila já morta e ameaçando atear fogo ao próprio corpo. Após se acalmar, explicou aos policiais militares que ele e a companheira brigaram em um pagode num boteco, momento em que ele foi até um posto de combustível, comprou gasolina e despejou no próprio corpo com intenção de se suicidar, mas desistiu.
O acusado contou ainda que, ao voltar ao bar, viu Priscila jogada no chão com sangramento no nariz, pegou-a e a levou ao hospital. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes deste trágico caso.



