A Justiça de São Paulo decretou nesta terça-feira (12) a prisão preventiva de Chris Douglas, de 52 anos, acusado de torturar e matar o próprio filho, Kratos Douglas, de 11 anos. O corpo do menino foi encontrado dentro da residência da família, no bairro do Itaim Paulista, Zona Leste da capital paulista, preso por uma corrente ao pé da cama. O próprio pai acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na segunda-feira (11). Quando os socorristas chegaram ao imóvel, constataram a morte da criança no local.
Vizinhos desconheciam existência da vítima
Moradores da Rua Engenheiro Álvaro Cunha afirmaram que sequer sabiam da existência do menino. Segundo vizinhos, Chris Douglas dizia ter apenas dois filhos e nunca mencionava o garoto mais velho. A dona de casa Silvani Oliveira Silveira contou que acreditava que o homem tivesse apenas duas crianças: uma menina de 8 anos e um menino de 2. Questionada sobre o menino de 11 anos, respondeu: “Nunca foi falado. Ele nunca tocou em momento nenhum que tinha outro filho.”
Detalhes do crime
De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 50º Distrito Policial (Itaim Paulista), policiais militares foram chamados para atender uma ocorrência de óbito infantil com suspeita de maus-tratos. Uma médica do Samu constatou que o menino apresentava “diversos sinais compatíveis com maus-tratos, consistentes em hematomas nos braços, mãos e pernas, roxeamento nas extremidades e espuma na boca”.
Em depoimento, Chris Douglas admitiu que “mantinha o filho acorrentado dentro da residência, preso ao pé da cama”, alegando que a medida era para impedir que o menino fugisse de casa. A madrasta e a avó paterna também confirmaram à polícia que sabiam que o garoto era mantido acorrentado. Segundo os relatos, o menino já apresentava lesões nas pernas e estava debilitado antes de morrer.
Perícia e investigação
A perícia apreendeu objetos eletrônicos e a corrente de metal utilizada para restringir a liberdade da vítima. O imóvel tinha câmeras de segurança, segundo o boletim de ocorrência, e os equipamentos serão analisados. A polícia solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante por tortura qualificada pelo resultado morte em preventiva, destacando a “submissão de criança a intenso sofrimento físico e mental”.
Reação dos vizinhos
Vizinhos disseram que nunca ouviram barulhos estranhos vindos da residência e afirmaram que o menino não era visto na rua. Chris Douglas morava nos fundos de uma casa com a mãe, a companheira e outras duas crianças. Aos vizinhos, dizia que trabalhava à noite fazendo entregas. Moradores também relataram estranhamento com a quantidade de caixas de papelão no imóvel. Em um dos quartos, era possível ver um colchão entre a passagem dos cômodos.
Silvani afirmou ter ficado em choque ao descobrir o caso: “Eu fiquei em choque. Porque queira ou não, eu dei a chave, ele tinha acesso aqui. Uma pessoa psicopata. Eu mesmo fiquei em choque. Trabalhei o dia inteiro em choque, sem nunca imaginar que teria uma criança perto da gente sofrendo desse jeito. E ninguém pode ajudar essa criança. A gente fica muito triste.”
A defesa de Chris Douglas não foi localizada até a última atualização desta reportagem.



