Operação Sem Refino: PF aponta envolvimento de policiais em esquema criminoso
A investigação da Polícia Federal que resultou na Operação Sem Refino, deflagrada na manhã desta sexta-feira (15), revelou indícios da participação direta de policiais federais e civis no esquema criminoso associado à empresa Refit. De acordo com as investigações, um escrivão lotado na Delegacia da Polícia Federal em Nova Iguaçu teria atuado como operador do grupo, utilizando um telefone clandestino registrado em nome de uma pessoa já falecida para manter contato com outros investigados.
Uso de linhas clandestinas e dificuldade de rastreamento
As análises apontam que a linha era usada de forma contínua em comunicações estratégicas com fiscais e intermediários ligados ao esquema. Segundo a PF, o uso dessas linhas tinha como objetivo dificultar o rastreamento das comunicações e manter as atividades ilícitas sob anonimato, por meio da utilização de contas telefônicas registradas em nome de pessoas mortas. No total, agentes cumpriram 17 mandados de busca e apreensão na manhã desta sexta, incluindo um contra o ex-governador Cláudio Castro. O ministro Alexandre de Moraes ainda determinou 7 medidas de afastamento de função pública. O empresário Ricardo Magro, dono da Refit, também está na mira da PF, que solicitou a inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol, a lista dos mais procurados do mundo.
IP vinculado à rede interna da PF
A identificação do policial federal suspeito de atuar no esquema ocorreu após o cruzamento de dados técnicos. De acordo com o documento, o aparelho utilizado pelo suposto operador acessou sistemas por meio de um endereço de IP vinculado à rede interna da própria Polícia Federal. Os registros foram associados ao login funcional de um escrivão. Além dele, outro escrivão aparece vinculado ao mesmo núcleo de contatos. Para os investigadores, o fato reforça a suspeita de que o grupo possuía ramificações dentro das forças de segurança.
Informações privilegiadas e apreensão de R$ 500 mil
A investigação também aponta irregularidades na atuação de um policial civil do Rio responsável por uma apuração preliminar relacionada ao caso. Na manhã desta sexta, a polícia apreendeu R$ 500 mil na casa do agente. A Polícia Federal aponta que a atuação do policial civil comprometeu a investigação, pois ele teria dado informações privilegiadas aos investigados, o que pode ter beneficiado os suspeitos. Na avaliação dos federais, essas medidas comprometeram a coleta de provas. O policial civil também teria ligação com um lobista apontado como intermediário da organização, o que levanta suspeitas de possível interferência indevida nas investigações.
Para a Polícia Federal, o conjunto de elementos indica que o esquema investigado extrapolava práticas empresariais ilícitas e fraudes fiscais, alcançando órgãos públicos e até agentes responsáveis pela repressão a crimes.



