Um ator registrou um boletim de ocorrência após relatar ter sido agredido e chamado de 'ladrão' durante as gravações do filme 'Dark Horse', cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, no Memorial da América Latina, na Zona Oeste de São Paulo. Segundo o relato registrado no boletim, a confusão ocorreu durante uma revista feita na entrada do set de filmagem. O ator afirmou que os atores estavam sendo revistados por homens apresentados como policiais 'por ser uma gravação estrangeira'. De acordo com o documento, ele segurava uma blusa quando um integrante da equipe, descrito como 'um americano', puxou a peça de sua mão e pediu que ele deixasse o local. O homem afirma ainda que foi chamado de 'ladrão' e conduzido até a saída por seguranças. Ainda segundo o registro, o ator precisou retornar ao set para buscar pertences e trocar de roupa. Nesse momento, ele afirma que um dos seguranças passou a encará-lo e apontar o dedo em sua direção.
Agressão física e ferimento
O ator detalhou que, ao levantar a mão para pedir que o segurança se afastasse, o homem deu um tapa em sua mão. Ele então empurrou o segurança para sair de cima de si, e o segurança revidou com um soco no rosto e na testa. Um documento médico da UPA que atendeu o homem, obtido pela GloboNews, aponta um 'pequeno ferimento de menos de 1 centímetro na região frontal da cabeça'. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que instaurou inquérito para investigar o caso. A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
Investigação do MP-SP
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma investigação para apurar irregularidades em um contrato entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que pertence à sócia da produtora do filme 'Dark Horse'. O inquérito foi instaurado no final de janeiro para apurar suspeitas de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões para implantar pontos de wi-fi público. O acordo entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) da gestão Ricardo Nunes (MDB) e a ONG prevê instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos de acesso à internet na periferia paulistana pelo prazo de 12 meses.
Empresas no mesmo endereço
O Instituto Conhecer Brasil tem como única sócia a empresária Karina Ferreira Gama, que também é sócia única da Go Up Entertainment LTDA, produtora do filme. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista, 807, sala 2315, no Centro de São Paulo. O inquérito foi instaurado pelo promotor Ricardo de Barros Leonel, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, após denúncia do vereador Nabil Bonduki (PT). Segundo o petista, há indícios de irregularidades no chamamento público e na execução do contrato pela empresa de Karina Gama.
Denúncias de superfaturamento
O vereador argumenta que o chamamento público teve apenas uma participante, o próprio Instituto Conhecer Brasil, questionando a ausência de concorrência e levantando suspeitas de direcionamento do processo licitatório. Ele também aponta indícios de um suposto superfaturamento de mais de R$ 27 milhões no valor do contrato. Em seu site oficial, a ONG se descreve como entidade de 'organização e execução de projetos de educação, cultura, turismo, pesquisa e tecnologia', sem mencionar experiência em instalação de equipamentos de telecomunicações ou redes de internet e wi-fi público. A denúncia também foi feita pelo site The Intercept Brasil, que revelou áudios do senador Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme.
Investigação no STF
O ICB também recebeu R$ 2 milhões de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias, que é produtor executivo e roteirista do filme. A destinação desse dinheiro é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), que deu mais um mês para que o parlamentar justifique o dinheiro enviado ao instituto da empresa parceira. Nesta sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino determinou a abertura de uma apuração preliminar para investigar supostas irregularidades na destinação dessas emendas a um grupo de entidades ligadas à produtora cinematográfica do filme sobre Jair Bolsonaro. A medida foi tomada após pedidos dos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Pastor Henrique (PSOL-RJ) dentro de uma ação que contesta a destinação de emendas. Os pedidos citam a existência de um 'ecossistema' de pessoas jurídicas interconectadas que compartilham endereço, gestão e infraestrutura sob o comando de Karina Ferreira da Gama. Entre as entidades citadas estão o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura, a Go Up Entertainment e a Conhecer Brasil Assessoria.



