Moradores de kitnets que desabaram em um complexo residencial na zona sul de Sorocaba (SP) relatam falta de segurança e demora para a realização da perícia judicial. Dois meses após o acidente, ocorrido em 27 de fevereiro, o local permanece aberto e abandonado, o que facilitou invasões e furtos, além do surgimento de rachaduras em imóveis vizinhos.
Abandono e invasões
O desabamento aconteceu na Rua Sylvio Campolim, no Jardim América, durante uma obra. Duas pessoas tiveram ferimentos leves, e o complexo de sete kitnets foi interditado pela Defesa Civil. No entanto, o terreno onde as unidades desabaram segue sem qualquer proteção. Segundo moradores, isso permitiu a entrada de pessoas mal-intencionadas, que cometem furtos não apenas nos imóveis interditados, mas também em casas e comércios próximos.
Guilherme da Silva, proprietário de uma casa ao lado, afirma que a situação permanece a mesma desde o acidente. "Facilitou a entrada de pessoas mal-intencionadas. Dá para perceber que as pessoas já conseguem livre acesso à área que precisa ser periciada, o que não deveria ocorrer", denuncia. Ele também informa que uma decisão judicial que determinava a instalação de medidas de segurança no local ainda não foi cumprida.
Rachaduras e impasse
Além da insegurança, a vizinhança está preocupada com o surgimento de rachaduras em imóveis próximos ao desabamento. Enquanto a perícia judicial não é realizada, os moradores estão impedidos de fazer reparos preventivos em suas próprias casas. A obra no local continua embargada, sem previsão para uma avaliação técnica.
Os ex-inquilinos das kitnets também enfrentam dificuldades. A advogada Isabelle Biruel Brasil Borges, que representa parte deles, explica que o valor da caução ainda não foi devolvido e a rescisão contratual não foi formalizada. Os clientes receberam uma proposta que condicionava a rescisão à renúncia do direito de processar os responsáveis, o que não foi aceito.
Medidas de segurança ignoradas
Os moradores cobram providências das autoridades. Eles afirmam que a área continua vulnerável, com livre acesso de estranhos, e que a demora na perícia judicial agrava a situação. Enquanto isso, o medo de novos desabamentos e a falta de segurança persistem, gerando revolta e apreensão entre os residentes.



