A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou da pauta de reunião desta quarta-feira (13) o julgamento do recurso apresentado pela Química Amparo, fabricante dos produtos Ypê, contra a decisão que suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante. A informação foi confirmada pela agência reguladora.
A Ypê informou que está apresentando à Anvisa informações detalhadas e laudos técnicos de microbiologia com verificações realizadas nos processos, bem como a análise de risco para o consumidor, após a agência confirmar que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados. É a primeira vez que a Anvisa confirma a identificação da bactéria em lotes de produtos da marca. Até então, a presença da Pseudomonas aeruginosa havia sido informada pela própria fabricante, que detectou o microrganismo em lotes de lava-roupas em novembro de 2025.
Inspeção conjunta
A constatação faz parte das conclusões de uma inspeção conjunta realizada na última semana de abril de 2026 pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP) e pela Vigilância Sanitária Municipal de Amparo, no interior paulista, onde fica a unidade da Química Amparo. Em nota, a empresa disse que se reuniu na terça-feira (12) com representantes da agência e apresentou uma atualização do plano de ação com a evolução do seu processo fabril, reafirmando sua observância integral às recomendações pontuadas pela Anvisa.
“Por essa razão, a Ypê solicitou à Diretoria Colegiada da Anvisa a manutenção dos efeitos do recurso que suspendeu a RE 1.834/2026, até que seja concluída a apresentação da documentação ao órgão regulador”, diz o comunicado.
Nota da Ypê na íntegra
“A Ypê informa que está em colaboração máxima com a Anvisa na busca por uma solução definitiva para a situação envolvendo a suspensão da venda, comercialização e uso dos seus lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes com lotes de fabricação final 1, conforme dispõe a RE 1.834/2026. Como parte desse processo, representantes da Ypê se reuniram com a agência ontem (terça-feira, 12/5) e apresentaram uma atualização do plano de ação com a evolução do seu processo fabril, reafirmando sua observância integral às recomendações pontuadas pela Anvisa. A empresa está apresentando informações detalhadas e laudos técnicos de microbiologia com verificações realizadas nos processos, bem como a análise de risco para o consumidor. Por essa razão, a Ypê solicitou à Diretoria Colegiada da Anvisa a manutenção dos efeitos do recurso que suspendeu a RE 1.834/2026, até que seja concluída a apresentação da documentação ao órgão regulador. A Ypê, uma empresa 100% brasileira com 75 anos de história, reitera seu compromisso permanente com a segurança e a saúde dos consumidores, reforça que tem mantido diálogo contínuo, técnico e colaborativo com a Anvisa.”
Visita à fábrica
O complexo industrial da Ypê, em Amparo (SP), é o maior da empresa e concentra a produção dos detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquidos com lote final 1 suspensos após inspeção sanitária da Anvisa. De acordo com a empresa, duas das oito unidades do complexo seguem paralisadas: uma de detergentes e outra de lava-roupas líquidos e desinfetantes. As demais estruturas continuam operando normalmente.
O g1 visitou a fábrica um dia após o Fantástico revelar detalhes da inspeção da Anvisa que identificou equipamentos com sinais de corrosão e “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”. Segundo o diretor executivo de Operações da Ypê, Eduardo Beira, cerca de 400 funcionários trabalham nos três turnos nas plantas afetadas e foram mobilizados para uma força-tarefa para acelerar as adequações exigidas pelo órgão regulador. A empresa chegou a suspender a decisão da Anvisa após apresentar recurso, mas optou por manter a produção parada.
De acordo com a Anvisa, a empresa informou que está “intensificando os trabalhos” para executar 239 ações corretivas na fábrica, com o objetivo de atender às exigências da vigilância sanitária. As medidas levam em consideração inspeções realizadas nos anos de 2024 e 2025.
O que diz a Ypê sobre a suspensão
Em nota enviada na terça-feira (12), a Ypê reforçou que tem mantido suspensas as linhas de produção, e que a medida tem como objetivo acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa durante a última fiscalização. Veja a nota na íntegra:
“A Ypê esclarece que tem mantido suspensa as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde o último dia 07 de maio, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes de número de lote final 1 (um), objeto da RE n. 1834/2026. Esta medida continua em curso, independentemente do efeito suspensivo obtido com o nosso recurso, e tem como objetivo acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa durante a última fiscalização. Com a conclusão de mais esta etapa nos próximos dias, a Ypê reforça sua colaboração máxima com as autoridades na busca por uma solução definitiva para a situação, o mais breve possível, reafirmando, acima de tudo, o seu compromisso permanente com a segurança e a saúde dos consumidores.”
Produtos listados
Lava-louças:
- Lava-louças com Enzimas Ativas Ypê
- Lava-louças Ypê
- Lava-louças Ypê Clear Care
- Lava-louças Ypê Toque Suave
- Lava-louças Concentrado Ypê Green
- Lava-louças Ypê Clear
- Lava-louças Ypê Green
Lava-roupas:
- Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
- Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas
- Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Antibac
- Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
- Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Green
- Lava-roupas Líquido Ypê Express
- Lava-roupas Líquido Ypê Power Act
- Lava-roupas Líquido Ypê Premium
- Lava-roupas Tixan Maciez
- Lava-roupas Tixan Primavera
- Lava-roupas Tixan Power Act
Desinfetantes:
- Desinfetante Bak Ypê
- Desinfetante de Uso Geral Atol
- Desinfetante Perfumado Atol
- Desinfetante Pinho Ypê
Motivos da decisão da Anvisa
A Anvisa identificou descumprimentos relevantes das chamadas Boas Práticas de Fabricação, como fragilidades nos sistemas de garantia da qualidade, controle de qualidade, limpeza, sanitização, validação e controle microbiológico. Esses são, segundo a agência, aspectos diretamente relacionados à prevenção de desvios microbiológicos, ou seja, de falhas que permitem a contaminação dos produtos por microrganismos.
O relatório da inspeção destacou o estado de conservação do tanque de manipulação de produtos para lavar louças. Na mesma unidade, os fiscais flagraram restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase. Segundo a Anvisa, os problemas comprometem as boas práticas de fabricação e representam risco sanitário, com possibilidade de contaminação microbiológica dos produtos.
Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou resultados fora da especificação microbiológica em 80 lotes de produtos acabados, incluindo testes positivos para a bactéria Pseudomonas aeruginosa. De acordo com a inspeção, os lotes não foram reprovados pelo controle de qualidade e permaneciam armazenados aguardando “definição financeira”.
Sobre os lotes contaminados, Eduardo Beira defende que estão armazenados e protegidos, garantindo que não cheguem aos consumidores. “O que nós estamos querendo mostrar é que a segurança do consumidor é algo que nós visamos, que nós nos preocupamos, e nós como organização, nós não colocaríamos em risco a saúde de ninguém”, destacou.



