Pai de Henry Borel denuncia: 'Mataram meu filho novamente' após adiamento de julgamento
O vereador carioca Leniel Borel, pai do menino Henry, morto aos 4 anos em 2021, expressou profunda indignação com o adiamento do julgamento do caso no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Uma manobra dos advogados do padrasto do menino, o ex-vereador Dr. Jairinho, que responde por homicídio, impediu a realização da sessão nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, exatamente cinco anos após a trágica morte.
Manobra dos advogados inviabiliza sessão
Os criminalistas da defesa de Jairinho abandonaram o plenário em protesto, o que tornou impossível prosseguir com o julgamento. Leniel Borel, que acompanhava presencialmente a sessão junto com familiares, não poupou críticas ao desfecho. "Mataram meu filho novamente. O que foi feito aqui hoje é um assassinato, um terrorismo com uma família que luta. É um desrespeito com a memória do Henry e um desrespeito com a minha família", declarou o vereador na saída do tribunal.
Leniel classificou a conduta dos advogados como uma "palhaçada" e afirmou que "eles não buscam a verdade". Em nota, a defesa de Jairinho justificou a ação alegando falta de acesso a provas, argumento que já havia sido rejeitado pela Justiça. A defesa sustentou que "o exercício da advocacia no tribunal do júri não pode ser meramente formal, mas sim efetivo e responsável".
Consequências do adiamento e soltura de Monique
A manobra dos advogados do ex-vereador acabou beneficiando indiretamente a professora Monique Medeiros, mãe de Henry, que também responde ao processo. A juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo caso, considerou que Monique não teve culpa pelo adiamento e que manter sua prisão configuraria "constrangimento ilegal" por excesso de prazo.
Leniel Borel, no entanto, vê a soltura de Monique como uma retaliação a Jairinho, descrevendo-a como "um castigo". "Se não teve júri, o lugar da Monique é presa. Aquela criança sangrou pedindo a ajuda da mãe e a mãe sai pela porta da frente agora? Não pode uma mãe, que tem a possibilidade de ter matado o filho dela, sair pela porta da frente. A Monique é, no mínimo, omissa", lamentou o vereador.
Reações do Ministério Público e posicionamento judicial
O promotor Fábio Vieira, do Ministério Público do Rio, informou que vai recorrer para tentar restabelecer a prisão de Monique. Ele argumenta que o julgamento poderia ter sido desmembrado para julgá-la separadamente hoje. "A conduta da Monique é tão grave quanto a do Jairo, então não teria problema que ela fosse julgada. O excesso de prazo é causado também pela negativa da defesa de fazer o julgamento no dia de hoje", afirmou o promotor.
Os advogados da professora se opuseram à sugestão, temendo que ela fosse prejudicada pela dinâmica de um julgamento fracionado. Ao analisar o caso, a juíza Elizabeth Machado Louro considerou que inverter a ordem do julgamento seria "juridicamente impossível" e poderia comprometer a "coerência" do veredito dos jurados, além de prejudicar a defesa de Monique.
O caso continua a gerar comoção e debates sobre a eficácia da justiça brasileira, com a família de Henry aguardando ansiosamente por uma nova data para o julgamento, que promete ser um marco na busca por justiça para o menino.



