Terreiro de Candomblé sofre segundo ataque por vandalismo em menos de 15 dias na Bahia
Terreiro de Candomblé vandalizado pela segunda vez em 15 dias na BA

Um terreiro de candomblé localizado em Alagoinhas, no interior da Bahia, foi alvo de um ato de vandalismo na segunda-feira, dia 2 de setembro. Este incidente marca o segundo ataque registrado contra o mesmo local em menos de quinze dias, levantando sérias preocupações sobre intolerância religiosa na região.

Detalhes do ataque e danos causados

O terreiro Ilê Yabotô Axé Omí Lejikan, situado no bairro Santa Terezinha, sofreu com a depredação e incêndio de peças sagradas essenciais para as práticas religiosas. Além disso, objetos considerados obscenos foram deixados no local, agravando o caráter ofensivo do ato. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram claramente os danos e a desordem causada pelos vândalos.

Contexto dos ataques e relato do babalorixá

De acordo com o babalorixá Pai Lucas, responsável pela casa, o primeiro ataque ocorreu no dia 23 de janeiro, tornando este o segundo episódio em um curto intervalo de tempo. Ele relatou que membros do terreiro estiveram no local no último sábado, dia 30 de agosto, para atividades rotineiras e não constataram novos danos naquele momento, indicando que o vandalismo aconteceu posteriormente.

Pai Lucas destacou a falta de câmeras de monitoramento no terreiro, o que dificulta a identificação dos suspeitos. Em suas palavras, "Não podemos deixar passar atitudes como essas, que são a demonstração mais evidente da intolerância religiosa que, infelizmente, ainda persiste em nossa sociedade".

Ações tomadas e investigações em andamento

Diante da gravidade da situação, uma denúncia formal foi registrada no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, órgão vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos confirmou que o Centro de Referência está acompanhando o caso de perto.

Na sexta-feira, o responsável pelo terreiro tem uma reunião agendada com os dirigentes do CR e toda a rede de apoio, para expor detalhadamente o caso e alinhar ações futuras de proteção e justiça.

Investigação policial e possíveis responsabilizações

A Polícia Civil informou, por meio de nota, que a 1ª Delegacia Territorial (DT) de Alagoinhas está investigando uma denúncia de intolerância religiosa relacionada ao incidente. Segundo a ocorrência, o local foi danificado por um homem, e diligências e oitivas estão em andamento para esclarecer os fatos e responsabilizar o suspeito.

Este caso se soma a outros episódios recentes de violência contra terreiros de candomblé na Bahia, reforçando a necessidade urgente de medidas mais eficazes para combater a intolerância religiosa e proteger as comunidades tradicionais.