A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, suspeita de torturar e agredir uma empregada doméstica grávida no Maranhão, foi transferida para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), ela está em uma unidade feminina do sistema prisional. A prisão foi mantida após audiência de custódia na 2ª Central das Garantias da Comarca da Ilha de São Luís. Segundo o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), o processo tramita em segredo de Justiça.
Carolina Sthela está presa desde quinta-feira (7)
Ela foi encontrada ao tentar fugir no Piauí, hospedada na casa de um familiar em Teresina, conforme a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI). A defesa dela negou que estivesse tentando fugir. No sábado (10), a advogada Nathaly Moraes deixou a defesa da empresária, alegando perseguições, ataques pessoais e ameaças contra ela e a família.
Polícia apreende veículos abandonados
Na manhã de sábado (9), a Polícia Civil apreendeu dois veículos deixados em frente à casa da empresária. Um carro e uma moto, sem placas, teriam sido abandonados por Carolina e pelo marido, Yuri Silva do Nascimento, antes da fuga para o Piauí. Os veículos foram recolhidos e passarão por perícia.
Perícia confirma autoria dos áudios
O Instituto de Criminalística da Polícia Civil confirmou que os áudios divulgados com supostas confissões de agressões são da empresária. O laudo apontou 100% de compatibilidade entre a voz nos áudios e a de Carolina. O delegado Walter Wanderley solicitou a perícia após a prisão, para não deixar brechas para a defesa.
Empresária alega que agressões foram motivadas por anel
Em depoimento, Carolina afirmou que o anel que teria motivado as agressões estava avaliado em R$ 5 mil. Disse ainda que está grávida de três meses e enfrenta problemas de saúde, como pressão alta e infecção urinária. A defesa pretendia pedir prisão domiciliar, mas o pedido não foi acatado.
Investigada por cinco crimes
A empresária é investigada por tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria. A tentativa de homicídio qualificado indica intenção de matar com agravantes, como motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O delegado geral Augusto Barros afirmou que o caso segue sob investigação, com outros elementos a serem analisados.
PM suspeito de participação se entrega
O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, suspeito de participar das agressões, se entregou na quinta-feira (7). Em depoimento à Corregedoria da PM, negou envolvimento. Já na Polícia Civil, admitiu que esteve na casa e participou das agressões, mas afirmou que a maior parte dos atos foi cometida por Carolina. Ele contestou a versão da vítima. A Corregedoria abriu procedimento interno para apurar a participação do PM.
PMs que atenderam ocorrência são investigados
Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência são investigados por conduta inadequada. Segundo a SSP-MA, eles não foram afastados das funções. A apuração foi aberta após divulgação de áudios em que Carolina afirma que não foi levada à delegacia por conhecer um dos policiais. Em um áudio, ela diz: “Parou uma viatura no meio da rua... veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? ... ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’.”
Doméstica relata agressões e ameaça de morte
A jovem de 19 anos descreveu as agressões: puxões de cabelo, socos, murros, e foi derrubada no chão. Tentou proteger a barriga, pois estava grávida de cinco meses. A ex-patroa a acusou de roubar um anel, que foi encontrado em um cesto de roupas sujas. Mesmo após a descoberta, as agressões continuaram. A vítima foi ameaçada de morte se contasse à polícia. “Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam”, disse a jovem. Áudios enviados pela empresária e obtidos pela TV Mirante registram os relatos e foram anexados ao inquérito. Em uma mensagem, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”.
Doméstica relata jornada extensa e acúmulo de funções
A jovem recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho, com jornada diária de quase 10 horas, de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo. Ela limpava a casa, cozinhava, lavava e passava roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos. O pagamento foi feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros.
Empresária tem mais de dez processos
Em 2024, Carolina foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá Sandila Souza de roubar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses em regime aberto foi substituída por serviços comunitários e indenização de R$ 4 mil, ainda não paga. Em 2023, foi condenada por furto qualificado contra a própria irmã, em conjunto com o marido, desviando mais de R$ 20 mil de uma escola de natação.
Nota da empresária
Em nota, Carolina repudiou a violência e afirmou que respeita as autoridades e que sua versão será apresentada no momento adequado. Disse que sua família sofre ataques e ameaças e pediu que não haja julgamento antecipado.
Nota do PM
A defesa de Michael Bruno informou que ele nega agressões e que sua versão será apresentada tecnicamente nos autos. Disse que ele compareceu à Corregedoria e prestou declarações. A defesa adotará providências para garantir o contraditório e a ampla defesa.



