Uma pesquisa do IPC Maps, que mede o potencial de consumo das famílias, revela um cenário de desigualdade na Região Metropolitana de Campinas (RMC) para 2026. Enquanto a classe C cresce, impulsionada pela dificuldade de acompanhar o aumento dos preços, a classe A também avança, beneficiada por oportunidades concentradas no topo da renda. Já a classe B perdeu representatividade, com a queda de 30,9% para 27,4% dos domicílios.
Classe C predomina, mas enfrenta pressão
Com 52,1% das famílias, a classe C continua sendo a maioria na RMC, com renda domiciliar média entre R$ 2,5 mil e R$ 4,5 mil. O economista Eli Borochovicius, da PUC-Campinas, explica que o crescimento desse grupo está ligado à dificuldade das famílias em acompanhar a inflação de itens essenciais como alimentos, combustíveis e medicamentos, além dos juros altos. Muitos trabalhadores mantiveram emprego, mas não ampliaram o poder de compra.
O perfil econômico da região, baseado em serviços como educação, saúde, comércio, tecnologia e logística, gera muitos empregos formais, mas com remuneração média baixa, limitando o avanço da renda diante do custo de vida elevado.
Classe A amplia participação
Os dados mostram um aumento de 17,5% nos domicílios da classe A, com renda superior a R$ 28,3 mil. Segundo Borochovicius, esse crescimento indica que uma parcela restrita da população conseguiu aumentar renda e patrimônio, impulsionada por setores de maior valor agregado, como tecnologia, saúde privada e cargos de liderança.
Variações nas classes sociais
O total de domicílios na RMC em 2026 é de 1.196.313, alta de 1% ante 2025. Veja as variações:
- Classe A: de 56.921 para 66.930 domicílios (+17,5%)
- Classe B: de 365.200 para 328.295 domicílios (-10,1%), participação cai de 30,9% para 27,4%
- Classe C: de 587.070 para 623.097 domicílios (+6,1%), participação sobe de 49,6% para 52,1%
- Classe D/E: de 174.586 para 177.991 domicílios (+1,9%), participação sobe de 14,7% para 14,9%
Potencial de consumo
A classe A teve o maior salto no consumo projetado, com alta de 28,8%. A classe B ainda é responsável pela maior movimentação financeira (R$ 80,7 bilhões). Já a classe C, apesar do aumento no número de domicílios, viu o potencial de consumo recuar ligeiramente.
O potencial total de consumo urbano na RMC cresceu 11,7%, de R$ 172,1 bilhões para R$ 192,4 bilhões. As categorias com maiores gastos são:
- Habitação: R$ 52,59 bilhões
- Veículo próprio: R$ 21,52 bilhões
- Alimentação no domicílio: R$ 15,37 bilhões
- Materiais de construção: R$ 7,91 bilhões
- Plano de saúde/tratamento médico: R$ 7,67 bilhões
- Alimentação fora do domicílio: R$ 7,67 bilhões
- Educação: R$ 6,70 bilhões
- Medicamentos: R$ 5,82 bilhões
- Higiene e cuidados pessoais: R$ 5,31 bilhões
- Vestuário: R$ 3,90 bilhões



