Furto de cabos de energia triplica e causa prejuízos de R$ 90 milhões no Brasil
O roubo de cabos de energia vem se tornando uma cena cada vez mais comum em cidades brasileiras, com números que triplicaram em apenas um ano. Os prejuízos financeiros atingiram a alarmante marca de R$ 90 milhões em 2025, revelando uma crise que afeta desde concessionárias até milhares de consumidores.
Crescimento alarmante e impactos diretos na população
Os dados são preocupantes: os furtos de cabos passaram de 300 toneladas em 2024 para impressionantes 975 toneladas em 2025. Esse aumento vertiginoso reflete uma prática criminosa que se espalha por diversas regiões do país. No Ceará, por exemplo, cerca de 200 quilômetros de fios foram roubados em 2025, deixando aproximadamente 450 mil clientes sem energia elétrica.
Em Santa Catarina, as ocorrências desse tipo de crime quase dobraram nos últimos dois anos, enquanto no Rio de Janeiro uma concessionária que atende 31 cidades estima prejuízos de R$ 34,5 milhões apenas em 2025. A capital fluminense registrou casos de criminosos disfarçados com uniformes de empresas do setor, que abriam buracos em calçadas para retirar cabos subterrâneos.
Cenas de risco e flagrantes perigosos
A queima do plástico para extrair cabos de cobre tornou-se uma imagem recorrente em várias localidades. Em Belo Horizonte, um homem foi filmado agarrado à fiação elétrica, pendurado a aproximadamente três metros do chão, desafiando perigos extremos para cometer o furto. O advogado Saulo Humberto Moreira e Xavier, que presenciou a cena e acionou a polícia, relatou: "A gente sabe que há furtos recorrentes no bairro, mas ver, no momento do flagrante, foi a primeira vez".
O suspeito conseguiu fugir, mas deixou para trás um cabo de telecomunicações cortado - um fragmento que simboliza um problema muito maior. Duas pessoas foram presas na capital carioca durante operações contra esses crimes, mas a dimensão do desafio permanece considerável.
Cadeia criminosa complexa e dificuldades de combate
As investigações policiais revelam que os furtos de cabos envolvem crimes sucessivos que formam uma cadeia complexa. O cobre retirado da fiação é enviado para ferros-velhos clandestinos, onde é misturado com metal adquirido legalmente - uma estratégia para dificultar o rastreamento da mercadoria. Posteriormente, o material segue para a indústria de transformação e retorna ao mercado como cabos novos à venda.
Rômulo Dias, chefe do 1º departamento da Polícia Civil de Minas Gerais - responsável por todas as delegacias da área de Belo Horizonte - explica a importância de combater os receptadores: "Tirando esse receptador do mercado, a gente ceifa essa cadeia de sucessão de atos do cobre, em várias, vamos dizer, ramificações que ela tem. Um receptador que sai, a gente aniquila várias linhas que chegam até ele".
Essa abordagem destaca a necessidade de ações coordenadas contra todos os elos da cadeia criminosa, desde os furtos até a comercialização do material roubado. O problema transcende questões de segurança pública para se tornar também um desafio econômico e de infraestrutura nacional.



