Enel registra 13,2 km de cabos furtados no RJ, equivalente à extensão da Ponte Rio-Niterói
No ano passado, a Enel Distribuição Rio contabilizou um total impressionante de 13,2 quilômetros de cabos furtados em sua área de concessão no estado do Rio de Janeiro. Essa extensão é equivalente ao comprimento total da icônica Ponte Rio-Niterói, destacando a magnitude do problema que afeta o fornecimento de energia na região.
Aumento significativo nos números
O volume registrado representa um aumento preocupante de 8,2% em relação ao ano anterior, demonstrando uma tendência crescente desse tipo de crime. De acordo com a concessionária, aproximadamente 17 mil clientes das 66 cidades atendidas foram impactados por ocorrências de furto de cabos em 2025, número que é 7,3% superior ao registrado em 2024.
As regiões Norte, dos Lagos e Metropolitana concentraram a maior parte dos casos, somando cerca de 7,2 quilômetros de cabos furtados ao longo do ano. Campos se destacou como líder no ranking estadual de furtos de cabos de energia, evidenciando a disseminação do problema em diferentes áreas do estado.
Impacto direto no fornecimento de energia
Segundo a empresa, o furto de cabos provoca interrupções e oscilações significativas no fornecimento de energia elétrica, além de demandar horas de trabalho das equipes técnicas para realizar os reparos necessários. "O furto de cabos é um delito que afeta diretamente o serviço prestado à população", explicou um representante da Enel.
José Luis Salas, diretor de Redes da Enel Rio, alertou sobre os riscos adicionais: "Quem manipula a fiação de forma indevida está sujeito a choques e até mesmo a provocar um incêndio de grandes proporções", ressaltando os perigos tanto para os criminosos quanto para a comunidade.
Contexto mais amplo no estado
O problema não se limita à Enel. No ano passado, a concessionária Light, responsável pelo abastecimento de 31 municípios do Rio de Janeiro incluindo a capital, divulgou que entre janeiro e junho foram registradas 115 ocorrências de furto de cabos de energia elétrica em sua área de concessão.
Ao todo, foram 87,5 quilômetros de fiação vandalizada na área da Light. Essa quantidade de fios seria suficiente para atravessar a Ponte Rio-Niterói, de 13,2 km, cerca de 6,6 vezes, ou ainda para cobrir a distância entre o Centro do Rio e São Gonçalo, ida e volta.
Nova legislação e desafios persistentes
Em julho do ano passado, foi sancionada a Lei nº 15.181/2025, que amplia as penas para furto, roubo e receptação de fios, cabos e equipamentos utilizados no fornecimento de energia elétrica. Apesar dessa mudança na legislação, as distribuidoras continuam registrando ocorrências frequentes.
Ricardo Brandão, diretor de regulação da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), comentou: "Ter uma legislação que puna de maneira mais forte este tipo de crime é importante, mas também é fundamental a ação da própria polícia no combate a essa prática criminosa".
Brandão destacou ainda que "os criminosos precisam ser identificados e penalizados, não só aqueles que cometem o furto, mas também aqueles que recebem e processam esse material roubado". O furto de cabos, assim como o furto de energia elétrica, é crime com pena prevista de dois a oito anos de reclusão.
Medidas de combate e prevenção
A Enel informou que vem adotando medidas estratégicas para reduzir os furtos, como a substituição de cabos por materiais com menor valor comercial, sem prejuízo à qualidade do serviço prestado aos consumidores.
A distribuidora também integra um grupo de trabalho com a Secretaria de Estado da Polícia Militar e outras concessionárias para reforçar ações de combate ao crime. A concessionária orienta que denúncias podem ser feitas por meio do site da empresa, aplicativo, WhatsApp e Central de Relacionamento.
Para intensificar o combate aos crimes, a Light firmou uma parceria com o Disque-Denúncia. Desde o ano passado, é possível denunciar furtos de cabos, ligações clandestinas e fraudes no fornecimento de energia de forma anônima, 24 horas por dia, pelo telefone (21) 2253-1177.
A situação permanece crítica, exigindo esforços coordenados entre empresas, autoridades policiais e a população para conter essa onda de criminalidade que prejudica o fornecimento de energia essencial para milhares de cidadãos fluminenses.



