Em 23 de dezembro de 2024, o navio cargueiro russo Ursa Maior afundou em circunstâncias suspeitas em águas internacionais, a aproximadamente 96 quilômetros da costa da Espanha. O episódio foi amplamente noticiado pela mídia internacional devido a uma série de explosões que causaram o naufrágio. Agora, uma investigação da CNN, divulgada nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, revelou que a embarcação transportava reatores nucleares com destino à Coreia do Norte.
Detalhes do naufrágio e suspeitas de operação militar
O naufrágio resultou na morte de dois tripulantes. Outros 14 foram resgatados por forças espanholas, mas, por intervenção do navio militar russo que escoltava o cargueiro, foram rapidamente devolvidos às autoridades russas. A investigação sugere que as explosões podem ter sido provocadas por uma operação militar de forças ocidentais, com o objetivo de impedir que a Rússia transferisse tecnologia nuclear para a Coreia do Norte, em um momento em que Moscou intensificava suas ações na guerra contra a Ucrânia.
Fontes ouvidas pela reportagem indicam que a explosão pode ter sido um ataque inédito de potências ocidentais para bloquear a transferência de tecnologia atômica. Investigações espanholas apontam que um torpedo pode ter atingido a embarcação, contribuindo para o naufrágio.
Movimentações suspeitas após o naufrágio
O Ursa Maior havia partido da Rússia apenas dois meses depois de Kim Jong-un enviar tropas para apoiar a invasão russa da Ucrânia. Desde o naufrágio, atividades militares incomuns foram registradas ao redor dos destroços. Dados de voos públicos mostram que aeronaves americanas sobrevoaram o local duas vezes no último ano. Além disso, um navio espião russo teria permanecido na região por cerca de cinco dias, e após sua visita, mais quatro explosões ocorreram no local.
O governo espanhol emitiu um comunicado em 23 de fevereiro, no qual o capitão do navio, Igor Anisimov, afirmou acreditar que a embarcação teria seu curso desviado para o porto de Rason, na Coreia do Norte, para entregar dois reatores nucleares.
Características do navio e riscos nucleares
O Ursa Maior foi construído em 2009 e pertence à companhia Oboronlogistics, que tem contrato com o Ministério da Defesa da Rússia para operações de construções militares. A embarcação já havia sido utilizada na Síria e, segundo a empresa, todos os seus navios possuem licença para transportar materiais nucleares. O carregamento de dois reatores nucleares implica também o transporte de urânio para fissão e geração de energia. Caso o navio realmente carregasse esse maquinário, a explosão, que ocorreu na casa de máquinas, poderia liberar material radioativo no mar, dependendo da extensão dos danos.
A Oboronlogistics classificou o naufrágio como um "ataque terrorista". O governo espanhol informou que o Ursa Maior está a cerca de 2.500 metros de profundidade e considera arriscado tentar recuperar dados dessa profundidade. No entanto, especialistas questionaram essa afirmação, argumentando que não haveria risco se não houvesse material radioativo envolvido.
O governo russo declarou inicialmente que a embarcação transportava guindastes para o porto de Vladivostok, mas não explicou por que estava navegando próximo à costa da Espanha. O navio partiu de Ust-Luga, na Rússia, e autoridades questionaram o motivo de uma embarcação viajar entre dois portos russos, considerando a extensa rede ferroviária do país.



