STJ determina soltura do prefeito de Garopaba, preso por suspeita de fraudes em licitação
STJ manda soltar prefeito de Garopaba preso por fraudes

Superior Tribunal de Justiça ordena libertação do prefeito de Garopaba após prisão por suspeita de corrupção

Nesta quarta-feira, 5 de fevereiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) emitiu uma decisão que determina a soltura imediata do prefeito de Garopaba, Júnior Abreu, filiado ao Partido Progressista (PP). O mandatário municipal estava preso desde o mês de janeiro, acusado de envolvimento em um suposto esquema de fraudes na contratação do serviço de coleta de lixo no município catarinense, que possui aproximadamente 34 mil habitantes e é reconhecido pelo turismo de praia na região da Grande Florianópolis.

Decisão judicial considera prisão preventiva desproporcional

O ministro Reynaldo Soares da Fonseca, responsável pela análise do caso, revogou a prisão preventiva ao avaliar que a medida era desproporcional e fundamentada em fatos que carecem de contemporaneidade. De acordo com o magistrado, as condutas investigadas teriam ocorrido entre os anos de 2021 e 2023, sem que houvesse novos elementos que justificassem a manutenção da custódia. O ministro ainda recomendou que as instâncias inferiores reavaliem a situação de outros investigados presos no mesmo decreto, considerando a aplicação de medidas alternativas à prisão.

Operação Coleta Seletiva investiga prejuízo de mais de R$ 700 mil aos cofres públicos

A prisão do prefeito Júnior Abreu foi efetuada durante a Operação Coleta Seletiva, que investiga um suposto esquema de direcionamento de editais de licitação para beneficiar empresas específicas. As investigações apontam que o prejuízo causado aos cofres públicos ultrapassa a marca de R$ 700 mil. Além do prefeito, a operação resultou na prisão preventiva de um servidor do setor de licitações de Garopaba e de um empresário do ramo de coleta e reciclagem de resíduos. Dois secretários municipais foram afastados de seus cargos, e a ação também atingiu um ex-prefeito de Garopaba, cujo nome não foi divulgado, e o atual prefeito de Pescaria Brava, Luiz Henrique Castro de Souza, que atuou como secretário de Administração no município.

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As diligências ocorreram nas cidades de Garopaba, Pescaria Brava, Laguna e Tubarão, com o sequestro de bens e valores estimados em cerca de R$ 1 milhão. Segundo a 2ª Delegacia de Combate à Corrupção da Diretoria de Investigações Criminais, o inquérito apura um esquema de corrupção que envolve repasses a agentes políticos e fraudes em contratos públicos, com indícios de que os crimes tenham começado em 2016 e persistido mesmo após mudanças na gestão municipal. Todos os presos foram encaminhados ao Presídio Regional de Tubarão.

Defesa do prefeito aguarda alvará de soltura e reafirma inocência

A defesa técnica de Júnior Abreu, representada pelo escritório Araujo, Reinisch & Telles, informou que aguarda a emissão do alvará de soltura pela Desembargadora Relatora da Ação Penal, para que o prefeito seja colocado em liberdade com a maior brevidade possível. Em nota, a defesa esclareceu que a prisão preventiva decretada possui caráter provisório e não representa qualquer juízo de culpa, tratando-se de uma medida inicialmente considerada necessária para resguardar o andamento do processo.

Após a decisão do STJ, a defesa manejou os instrumentos legais cabíveis, incluindo a impetração de Habeas Corpus, que resultou na concessão da ordem pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca. A decisão monocrática de 26 páginas reconheceu a ilegalidade da prisão, destacando que outras medidas cautelares menos gravosas seriam suficientes para garantir a ordem pública e a instrução criminal. Por fim, a defesa reiterou o respeito pelas instituições do sistema de justiça, reafirmou a inocência de Júnior Abreu quanto aos fatos apurados e reforçou que continuará empregando todos os instrumentos legais cabíveis para o pleno esclarecimento dos fatos.

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