Renan Calheiros denuncia manobra do Centrão para esvaziar depoimento de Vorcaro no Senado
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) fez uma acusação grave contra o Centrão, alegando que há uma movimentação política para esvaziar o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Segundo Renan, a antecipação da oitiva de Vorcaro para a próxima segunda-feira (23) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS é uma estratégia deliberada para reduzir o impacto do seu comparecimento na CAE, marcado para o dia seguinte.
Acusações de articulação política
Na avaliação do senador, o Centrão estaria articulando para que Vorcaro fale primeiro à CPMI, cujo foco se restringe à investigação de irregularidades em empréstimos consignados no INSS. Renan direcionou suas críticas a três figuras políticas: Artur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB) e Ciro Nogueira (PP-PI). Procurado para comentar, Lira rebateu, afirmando que as declarações de Renan refletem uma briga regional entre eles, minimizando a acusação de manobra.
Ampliação do escopo das investigações
Enquanto a CPMI concentra-se nas irregularidades do INSS, a CAE pretende ampliar o escopo das apurações, fiscalizando a atuação do Banco Master, que é investigado sob suspeita de envolvimento em uma fraude bilionária. De acordo com Renan, Vorcaro solicitou prestar esclarecimentos ao Senado e manifestou disposição para colaborar com as investigações, mas a remarcação do depoimento na CPMI teria como objetivo reduzir a repercussão da oitiva na CAE. “O Centrão não deve estar no escândalo do consignado”, ironizou o senador, destacando sua desconfiança sobre as intenções do grupo.
Defesa de uma investigação mais abrangente
Renan lidera, no Senado, o grupo que defende uma investigação mais abrangente sobre o caso. Na sua avaliação, o depoimento de Vorcaro à CAE será uma oportunidade crucial para aprofundar questionamentos que vão além do foco limitado da CPMI. Ele argumenta que essa manobra política poderia prejudicar a transparência e a eficácia das apurações, permitindo que questões mais amplas sobre o Banco Master fiquem em segundo plano. O senador enfatiza a necessidade de um exame minucioso para garantir que todas as irregularidades sejam devidamente investigadas, sem interferências políticas que possam comprometer o processo.