Operação da PF mira ex-senador e filhos em investigação sobre desvios milionários
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Vassalos, que tem como alvos principais o ex-senador pernambucano Fernando Bezerra Coelho (MDB) e seus dois filhos políticos. A ação investiga um suposto esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a prefeitura de Petrolina, no Sertão de Pernambuco.
Mandados em cinco estados brasileiros
Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apura desvios de verbas de emendas parlamentares destinadas a municípios.
Segundo as investigações, uma organização criminosa desviava recursos por meio do direcionamento de licitações para empresas vinculadas ao grupo. Os valores eram utilizados para pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.
Alvos da operação incluem clã político tradicional
Além do ex-senador Fernando Bezerra Coelho, são alvos da operação seus filhos Miguel Coelho (União Brasil), ex-prefeito de Petrolina, e Fernando Filho (União Brasil), deputado federal. A família Bezerra Coelho representa um dos mais tradicionais clãs políticos de Pernambuco.
Fernando Bezerra Coelho tem extensa trajetória na vida pública:
- Três mandatos como prefeito de Petrolina (1993-1997 e 2001-2007)
- Ministro da Integração Nacional no primeiro governo Dilma Rousseff (2011-2012)
- Líder do governo Bolsonaro no Senado (2019-2021)
- Deputado federal, estadual e senador
- Secretário em diversas pastas do governo estadual
Histórico de investigações e defesa dos acusados
Em 2021, o ex-senador já havia sido indiciado por corrupção pela Polícia Federal, suspeito de receber propina de empreiteiras quando era ministro. Na época, a Procuradoria-Geral da República defendeu o arquivamento do inquérito no STF.
A defesa de Fernando Bezerra Coelho e seus filhos afirmou que ainda "não teve acesso à decisão do ministro Flávio Dino" e que "os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares". A prefeitura de Petrolina também declarou não ter acesso à decisão judicial.
Imagens obtidas pelo g1 mostram viaturas da PF chegando à sede da prefeitura de Petrolina, no Centro da cidade, para cumprimento dos mandados. A operação representa mais um capítulo nas investigações sobre uso irregular de recursos públicos no país.



