PF investiga suspeita de propina em aplicações milionárias da AmazonPrev no Banco Master
A Polícia Federal do Amazonas está conduzindo uma investigação minuciosa para apurar se funcionários da AmazonPrev, fundo de previdência estadual, receberam propina para aplicar recursos públicos no Banco Master, instituição financeira que foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Investigação revela aplicações sem análise prévia
Segundo as investigações da PF, a AmazonPrev realizou aplicações financeiras no valor total de R$ 390 milhões em letras financeiras de quatro bancos privados entre junho e setembro de 2024. O aspecto mais preocupante é que essas aplicações foram feitas sem passar por qualquer tipo de análise técnica ou fiscalização adequada, conforme protocolos estabelecidos.
Desse montante expressivo, R$ 50 milhões foram direcionados especificamente para o Banco Master, instituição que posteriormente entrou em processo de liquidação pelo Banco Central, levantando sérias questões sobre a gestão desses recursos públicos.
Três servidores são alvo das investigações
A Polícia Federal identificou três servidores da AmazonPrev como principais investigados por suspeita de gestão temerária e corrupção:
- Claudinei Soares: coordenador do comitê de investimentos na época das aplicações
- Cláudio Marins de Melo: então diretor de administração e finanças
- André Luis Bentes de Souza: então diretor de previdência
A Justiça já determinou o afastamento dos três servidores de suas funções por um período de 90 dias, medida cautelar que visa garantir a continuidade das investigações sem interferências.
Indícios de recebimento de propina
As investigações da Polícia Federal apontam para indícios concretos de que os servidores teriam recebido propina para realizar as aplicações financeiras. Segundo as apurações, uma locadora de veículos realizou depósitos no valor total de R$ 600 mil via Pix nas contas dos servidores investigados, exatamente no período em que a AmazonPrev estava fazendo os aportes milionários nos bancos privados.
Os investigadores trabalham agora para estabelecer a conexão direta entre esses depósitos e as aplicações financeiras, além de identificar quem teria autorizado as operações dentro da estrutura da AmazonPrev.
Colaboração institucional e ausência de defesa
A AmazonPrev, por meio de sua assessoria, declarou que está colaborando integralmente com as investigações da Polícia Federal, disponibilizando todos os documentos e informações solicitadas pelos investigadores. A instituição ressaltou seu compromisso com a transparência e a legalidade em todas as suas operações.
Por outro lado, o Jornal Nacional, que teve acesso inicial às informações da investigação, não conseguiu localizar a defesa dos três servidores citados na reportagem para obter suas versões sobre os fatos. A ausência de manifestação dos advogados dos investigados deixa em aberto questões importantes sobre as alegações de irregularidade.
Operação policial e desdobramentos
A investigação faz parte de uma operação mais ampla da Polícia Federal contra servidores da AmazonPrev por investimentos milionários realizados no Banco Master. As apurações continuam em andamento, com os investigadores buscando esclarecer todos os aspectos das transações financeiras suspeitas e identificar possíveis outros envolvidos no esquema.
O caso representa um sério alerta sobre os mecanismos de controle e fiscalização em instituições públicas que manejam grandes volumes de recursos, especialmente quando se trata de fundos de previdência que afetam diretamente a segurança financeira de milhares de contribuintes.
