Governo lança Desenrola 2.0 para renegociar dívidas de até R$ 15 mil
Desenrola 2.0: renegociação de dívidas começa nesta terça

O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (4), uma nova edição do programa de renegociação de dívidas, batizada de Desenrola 2.0. O prazo para adesão começa nesta terça-feira (5) e as medidas terão duração de três meses, ou seja, 90 dias. O principal público-alvo são brasileiros com dívidas no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.

Quem pode participar?

Podem aderir ao programa pessoas que ganham até cinco salários mínimos. A renegociação consiste em pagar os valores atrasados por meio de um novo empréstimo garantido pelo governo, com juros de no máximo 1,99% ao mês. Os descontos podem variar de 30% a 90% da dívida original, que não pode ultrapassar R$ 15 mil. Quem renegociar terá o nome limpo automaticamente e o CPF bloqueado em plataformas de apostas por um ano.

Uso do FGTS

O trabalhador pode utilizar até 20% do FGTS ou até R$ 1 mil do fundo na renegociação — o que for maior. Para garantir que o recurso seja usado para quitar dívidas, a Caixa Econômica Federal transferirá os valores diretamente para o banco onde o trabalhador possui a dívida.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância de as pessoas não perderem de vista suas condições de pagamento: “O que nós estamos aqui tentando corrigir, e já fizemos outras vezes, é que houve momentos singulares no Brasil. Este país vem se endividando há muito tempo; a Covid fez com que a sociedade se endividasse por necessidade mesmo. E há muita gente que, desde aquele tempo, ainda está enrolada.”

Medidas para estudantes e empresários

Estudantes de ensino superior com dívidas no Fies, atrasadas há mais de 90 dias, poderão renegociar o pagamento à vista com desconto de 12%. Inadimplentes inscritos no CadÚnico podem ter desconto de até 99% da dívida. Micro e pequenos empresários que estão no Procred e Pronampe terão prazos e condições melhores de pagamento.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, estima que o novo Desenrola deve atingir mais de 20 milhões de pessoas: “As pessoas que têm essas dívidas bancárias devem ir às plataformas dos próprios bancos, que já estão todos alinhados e instruídos para fazer essa renegociação a partir de amanhã. Os grandes bancos e os bancos públicos estão preparados para que isso comece a funcionar.”

Financiamento do programa

Para cobrir o programa, será utilizado o Fundo Garantidor de Operações (FGO), com recursos públicos para oferecer garantias aos bancos. Ou seja, o governo se compromete com o pagamento em caso de calotes. O fundo hoje conta com R$ 2 bilhões, e o governo pretende usar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões de dinheiro esquecido nos bancos — como saldos de contas encerradas e cobranças indevidas — além de um aporte adicional de até R$ 5 bilhões para reforçar essa garantia.

Contexto do endividamento

Esta é a segunda tentativa do governo Lula de reduzir o endividamento das famílias brasileiras. A primeira edição do Desenrola foi em 2023, mas teve alcance limitado. Em fevereiro de 2026, o endividamento bateu recorde. Segundo o Banco Central, as famílias comprometem quase 30% da renda mensal para pagar dívidas.

Especialistas veem na reedição do programa um alívio importante, mas alertam para a necessidade urgente de reduzir a pressão dos gastos públicos para criar condições para queda dos juros. Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, afirma: “Apesar de bastante grande, foi bastante extensa a medida que o governo anunciou, mas o próprio fato de ser um Desenrola 2.0 mostra que a gente já teve uma versão original e que não resolveu o problema. Não resolve o problema estrutural, porque o problema estrutural está justamente no custo elevado com juros. A taxa de juros é muito alta, e o juro alto é um sintoma. A origem do problema são contas públicas desequilibradas. Para termos juros mais baixos, precisamos endereçar o desequilíbrio fiscal.”

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar