Operação desarticula núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas com prisões e apreensões
Operação prende ex-chefe de gabinete de prefeito de Manaus por ligação com CV

Operação Erga Omnes desmantela esquema financeiro do Comando Vermelho no Amazonas

A Operação Erga Omnes, deflagrada para desarticular o núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas, resultou na prisão de 14 pessoas, incluindo o empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior e a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, Anabela Cardoso. A ação policial cumpriu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em sete unidades da federação, com destaque para o Amazonas, onde oito suspeitos foram detidos.

Depoimento revela pagamentos em dinheiro vivo para viagens de autoridades

Em depoimento à polícia, Alcir Queiroga Teixeira Júnior afirmou que Anabela Cardoso pagava viagens, hospedagens e aluguel de carros em dinheiro vivo através de sua empresa de turismo. Segundo o empresário, os bilhetes aéreos eram destinados ao prefeito David Almeida, ao vice-prefeito Renato Júnior, servidores da prefeitura e familiares do prefeito.

Entre as viagens citadas está uma ao Caribe, que já era alvo de investigação do Ministério Público do Amazonas por suspeita de custeio por empresários com contratos milionários com a prefeitura. Alcir detalhou que emitiu passagens para:

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  • David Almeida
  • Izabelle Fontenelle
  • Kassio Almeida Faye das Chagas (sobrinho do prefeito)
  • Esposa de Kassio

O pagamento teria sido feito em dinheiro vivo, no valor aproximado de R$ 34 mil. Segundo o depoimento, os pagamentos de Anabela chegavam a R$ 40 mil por transação, sempre em espécie, para destinos como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e viagens internacionais de férias.

Esquema movimentou R$ 70 milhões desde 2018

De acordo com as investigações, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano. O esquema atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados, utilizando empresas de fachada nos setores de transporte e logística.

Na prática, essas empresas seriam usadas para:

  1. Comprar drogas na Colômbia
  2. Transportar os entorpecentes para Manaus
  3. Distribuir as drogas para outras unidades da federação

Investigados enfrentam múltiplas acusações

Os investigados devem responder por uma série de crimes, incluindo:

  • Organização criminosa
  • Associação para o tráfico de drogas
  • Corrupção ativa e passiva
  • Lavagem de dinheiro
  • Ocultação de patrimônio
  • Violação de sigilo funcional

A investigação aponta que Anabela Cardoso teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção criminosa através de empresas de fachada. Ela integrava a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e teria facilitado a contratação dessas empresas fantasmas.

Reações e desdobramentos da operação

Além das 14 prisões, nove investigados seguem foragidos, incluindo o líder apontado pela polícia. A operação também resultou na apreensão de carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos que comprovariam o esquema.

O vice-prefeito de Manaus e familiares de David Almeida chegaram a pedir habeas corpus à Justiça, mas desistiram do processo. Em nota, Bernard da Costa Teixeira, dono da empresa PUMP, negou ter comprado passagens aéreas na agência de Alcir e afirmou ter apenas encontrado o prefeito durante a viagem ao Caribe.

A defesa dos demais citados no depoimento não se manifestou até o fechamento desta reportagem. A operação continua em andamento, com a polícia trabalhando para localizar os foragidos e aprofundar as investigações sobre as conexões políticas do esquema criminoso.

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