MP-RJ reabre investigação sobre supostas 'rachadinhas' no gabinete de Carlos Bolsonaro
A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro decidiu retomar a apuração contra o ex-vereador Carlos Bolsonaro por suspeitas de prática de "rachadinha" em seu antigo gabinete na Câmara Municipal. O órgão rejeitou formalmente o arquivamento do caso, que agora será encaminhado para uma nova Promotoria para avaliação detalhada e possível realização de diligências adicionais.
Decisão judicial reverte arquivamento e exige novas análises
A medida foi tomada após a Justiça do Rio de Janeiro determinar a devolução da investigação ao Ministério Público. Anteriormente, o promotor Alexandre Graça havia oferecido denúncia contra ex-funcionários de Carlos Bolsonaro, mas excluiu o próprio ex-vereador da acusação, argumentando que não foram identificadas irregularidades em suas movimentações financeiras.
Em decisão do dia 9 de fevereiro, o subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária, Marcelo Pereira Marques, considerou o arquivamento prematuro e determinou que o caso fosse submetido a outra unidade do Ministério Público para reavaliação completa.
Falhas na investigação anterior levantaram questionamentos
Conforme revelado pela Folha de S.Paulo, a apuração inicial foi encerrada sem a realização de diligências que, em caso similar, levaram à denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro – posteriormente arquivada após anulação de provas. O Ministério Público não analisou as transações imobiliárias de Carlos Bolsonaro nem questionou planos de saúde sobre o pagamento de boletos, informações consideradas cruciais em investigações de lavagem de dinheiro.
O promotor Alexandre Graça defendeu sua atuação, afirmando que "as diligências que se fizeram necessárias foram realizadas" e que "o questionamento feito é fruto do desconhecimento da investigação".
Padrões financeiros distintos entre os irmãos Bolsonaro
A investigação apontou que Carlos e Flávio Bolsonaro tinham movimentações financeiras significativamente diferentes. Enquanto o ex-vereador sacava quase 90% de seu salário em espécie, o senador realizava poucas retiradas. Esse padrão dificulta a identificação de possíveis desvios, pois Carlos Bolsonaro possuía lastro para transações em dinheiro vivo.
A defesa de Carlos Bolsonaro não se manifestou sobre a retomada das investigações. Anteriormente, quando o caso foi arquivado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro expressou tranquilidade e indignação com a denúncia contra seus funcionários, declarando: "Confio em todos os meus funcionários e tenho absoluta certeza que todos os envolvidos demonstrarão a fragilidade da acusação e suas inocências".
Contexto familiar e implicações políticas
O caso ocorre em meio a discussões sobre as ambições políticas da família Bolsonaro. Flávio Bolsonaro observou que, apesar do desejo do irmão Eduardo de se candidatar ao Senado para manter imunidade parlamentar, seria difícil explicar essa movimentação aos eleitores, especialmente considerando que Eduardo perdeu seu cargo anterior por faltas ao trabalho enquanto vivia nos Estados Unidos.
A retomada desta investigação coloca novamente em foco as práticas administrativas dos gabinetes da família Bolsonaro e as responsabilidades do Ministério Público em apurar possíveis irregularidades no uso de recursos públicos.



