Senador tenta acalmar base aliada após vazamento de anotações críticas
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma postura pública de minimização, mas agiu rapidamente nos bastidores para conter os estragos causados pelo vazamento de anotações pessoais que continham críticas a importantes aliados políticos. Os manuscritos, deixados sobre uma mesa durante uma reunião em Brasília nesta quarta-feira, rapidamente se tornaram um foco de tensão interna no Partido Liberal.
Contatos privados buscam reparar relações
Enquanto publicamente o senador tentava diminuir a relevância dos escritos, em telefonemas realizados nesta quinta-feira ele buscou pessoalmente se retratar com os políticos mencionados de forma negativa em suas anotações. Segundo fontes próximas ao parlamentar, Flávio explicou aos correligionários que os escritos não representavam seus próprios pensamentos, mas sim informações que ele estava recebendo durante o encontro com a base aliada.
O pedido de desculpas foi acompanhado por um apelo por "unidade" do PL em torno de seu nome, já que Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República nas próximas eleições. O senador também ratificou sua confiança nos aliados, tentando dissipar qualquer clima de desconfiança que pudesse ter sido gerado pelo conteúdo dos manuscritos.
Conteúdo das anotações gera constrangimento
As anotações, feitas durante uma reunião estratégica, continham avaliações francas sobre figuras-chave da política nacional. O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), aparecia em um dos registros com um símbolo de dinheiro ("$") e uma seta desenhada ao lado de seu nome, em uma possível referência a questões financeiras ou de apoio político.
Outro alvo das anotações foi Matheus Simões, escolhido pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), como seu sucessor. Nas anotações de Flávio Bolsonaro, Simões era descrito como um nome que "puxa para baixo" o projeto presidencial encabeçado pelo senador. Ambos os políticos receberam pedidos formais de desculpas, conforme confirmado por aliados.
O deputado Marcos Pollon (PL-MS) também foi mencionado nas anotações, com uma anotação ao lado de seu nome afirmando: "Pediu 15 mi p/ não ser candidato". O parlamentar já se manifestou publicamente para negar categoricamente ter solicitado qualquer valor em dinheiro para abrir mão de uma candidatura.
Cenário político em meio à campanha presidencial
O incidente ocorre em um momento delicado para Flávio Bolsonaro, que busca consolidar sua candidatura à Presidência da República. O vazamento das anotações expõe fissuras internas e avaliações críticas que normalmente permaneceriam nos bastidores da política.
A estratégia de danos adotada pelo senador – minimização pública combinada com retratações privadas – reflete a necessidade de equilibrar a transparência exigida pela opinião pública com a manutenção de alianças políticas essenciais para uma campanha nacional. O episódio também levanta questões sobre como as informações são registradas e protegidas em reuniões políticas de alto nível.
Enquanto isso, no Plenário do Senado Federal, as atividades legislativas seguem normalmente, com a pauta incluindo projetos como o PL 5.391/2020, que determina a transferência preferencial para presídios federais de acusados ou condenados por homicídio de policiais e outras autoridades. O contraste entre a rotina parlamentar e os conflitos internos dos partidos ilustra a complexidade da política brasileira em ano eleitoral.
