MP denuncia ex-reitor da UERR e empresários por desvio milionário de R$ 15 milhões
Ex-reitor da UERR é denunciado por desvio de R$ 15 milhões

Ex-reitor da UERR é denunciado por desvio milionário de recursos públicos

O Ministério Público de Roraima apresentou denúncia formal contra o ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Regys Odlare Lima de Freitas, e empresários por desvio de aproximadamente R$ 15 milhões em contratos públicos. A acusação detalha uma organização criminosa que operava dentro da instituição de ensino superior, utilizando recursos públicos para fins particulares.

Móveis residenciais pagos com dinheiro da universidade

Segundo depoimento do atual reitor Cláudio Travassos ao Ministério Público, o esquema criminoso foi descoberto quando um empresário do ramo de móveis procurou a nova gestão da UERR para cobrar uma dívida. Ao investigar a origem da cobrança, a reitoria descobriu que se tratava de móveis planejados instalados na residência particular de Regys Freitas, que seriam pagos com recursos da universidade estadual.

O documento ao qual o g1 teve acesso revela que o ex-reitor firmava "compromissos verbais" com fornecedores, confundindo deliberadamente o patrimônio público com interesses privados. O episódio dos móveis é citado pelo Ministério Público como prova concreta dessa prática irregular que marcou a gestão do ex-reitor.

Prisão preventiva é solicitada pelo MP

Nesta quarta-feira (11), o Ministério Público de Roraima requereu à Justiça a prisão preventiva de Regys Freitas. O pedido fundamenta-se em fortes indícios de que o grupo investigado está destruindo provas oficiais para encobrir o esquema de desvio de dinheiro público.

Os promotores detectaram adulterações no Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan), plataforma onde ficam registrados todos os pagamentos do governo estadual. As alterações nos dados financeiros da UERR começaram na primeira quinzena de dezembro de 2025, logo após a polícia iniciar interrogatórios e questionar irregularidades em contratos.

Organização criminosa e superfaturamento

Regys Freitas é acusado de liderar uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 15 milhões da universidade estadual. O objetivo das adulterações no sistema Fiplan seria esconder o superfaturamento nos contratos firmados com a empresa terceirizada Ibiapino & Pinheiro Ltda.

Diante das evidências, o Ministério Público solicitou, além da prisão preventiva, uma vistoria urgente nos registros de acesso do Fiplan para identificar exatamente quais servidores, computadores e senhas foram utilizados para apagar informações financeiras cruciais da universidade.

Influência política e risco de impunidade

O pedido de prisão e afastamento das funções públicas de Regys Freitas também cita a postura do ex-reitor de utilizar suposta influência política e jurídica para garantir a continuidade do esquema criminoso. Segundo o documento, Regys demonstrava proximidade com membros do Poder Judiciário, garantindo a manutenção das fraudes e a impunidade do grupo.

O atual reitor Cláudio Travassos relatou que o ex-reitor afirmava frequentemente que "Desembargador A, B ou C resolveria o que fosse necessário" caso surgissem problemas legais. Essa suposta intimidade com desembargadores seria utilizada para blindar uma gestão marcada por escândalos de corrupção.

As declarações do atual reitor reforçam a necessidade da prisão preventiva para garantir a ordem pública e a instrução processual, impedindo que o investigado utilize sua influência para travar o andamento do processo judicial. O Tribunal de Justiça de Roraima informou ao g1 que não se manifesta sobre investigações em andamento nem sobre declarações relacionadas a fatos sob apuração.