Operação Diamante de Sangue desmantela quadrilha especializada em roubos milionários a joalherias
A Polícia Civil da Bahia realizou uma operação de grande impacto que resultou na prisão de dez integrantes de uma sofisticada organização criminosa. O grupo era especializado em furtos milionários a joalherias localizadas em shoppings centers de diferentes estados do Brasil, utilizando um método peculiar: invasões através de buracos abertos no forro do teto das lojas, sempre fora do horário comercial.
Modus operandi meticuloso e investigação minuciosa
O caso que despertou a atenção das autoridades ocorreu na noite de 25 de janeiro de 2025, em um shopping de Salvador. Câmeras de segurança registraram um homem adentrando uma cafeteria já fechada, não para roubar o estabelecimento, mas sim para acessar o forro do teto. Após receber orientações por telefone de seu líder e analisar cuidadosamente câmeras e sensores de alarme, o criminoso abriu uma abertura no gesso, passou para a loja vizinha e conseguiu arrombar o cofre de uma joalheria.
Anéis, pulseiras e colares avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão foram subtraídos na ocasião. O ladrão permaneceu dentro do shopping até a manhã seguinte, conseguindo sair sem ser notado. Cerca de um mês após esse episódio, dois suspeitos envolvidos neste roubo foram capturados pelas forças policiais.
Padrão se repete em diferentes estados
Um crime com características idênticas foi registrado cerca de um ano depois em um shopping de Vila Velha, no Espírito Santo. As imagens de vigilância mostram o assaltante se jogando no chão para passar por baixo da porta de uma loja de materiais esportivos e, em seguida, acessando outra joalheria através do forro do teto. Ele deixou o local carregando uma mochila repleta de joias roubadas.
As peças furtadas eram enviadas por correspondência para os chefes da quadrilha em Sergipe, escondidas de forma engenhosa dentro de caixas de perfume para não levantar suspeitas durante o transporte. De acordo com Thomas Galdino, diretor do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), a organização criminosa escolhia joias como alvo principal devido à facilidade de revenda no mercado paralelo.
Líderes identificados e ostentação incompatível
As investigações apontaram Gabryel Expedito Nascimento de Lima e Yasmin Luyze Souza da Silva como os principais líderes da organização criminosa. Ambos estão entre os dez indivíduos presos durante a operação Diamante de Sangue. Nas redes sociais, o casal exibia um estilo de vida luxuoso, com postagens de viagens internacionais para destinos como Itália e Emirados Árabes, além de fotografias com carros de alto valor incompatíveis com suas rendas declaradas. Gabryel se apresentava publicamente como investidor no mercado de criptomoedas.
Ligações com outros crimes e apreensões significativas
As investigações também revelaram o envolvimento do grupo com atividades de tráfico de drogas e estelionato. Gravações de áudio obtidas pela polícia mostram Gabryel negociando a compra de armas e substâncias ilícitas. A Justiça autorizou a apreensão de um avião utilizado no tráfico de drogas, que foi interceptado em Roraima. Segundo as autoridades policiais, a aeronave foi adquirida com recursos de origem ilícita e mantinha ligação direta com o chefe da quadrilha.
A operação Diamante de Sangue resultou no bloqueio de R$ 13,6 milhões em bens dos investigados, incluindo 11 carros de luxo, uma moto aquática avaliada em R$ 300 mil, além de diversas joias e celulares sem nota fiscal. Gabryel e Yasmin responderão judicialmente por crimes de furto qualificado, organização criminosa, tráfico de drogas, estelionato e lavagem de dinheiro.
A defesa de Gabryel não respondeu aos contatos da reportagem, enquanto o advogado de Yasmin informou que acompanhou sua cliente na audiência de custódia e que ainda não irá se manifestar publicamente sobre o caso.



