Operação Argos desarticula rede de distribuição de drogas para o Nordeste
A Operação Argos, deflagrada na manhã desta quinta-feira (26), resultou na prisão de Jamilton Alves Franco, conhecido como "Chocô", identificado como o principal responsável pelo núcleo operacional de distribuição de drogas para os estados do Nordeste. O indivíduo foi capturado em Hortolândia, São Paulo, após meses de monitoramento policial.
Estrutura complexa de distribuição
As investigações revelaram que as drogas chegavam à Paraíba e outros estados nordestinos através de um sofisticado esquema criminoso. Grandes carretas faziam o translado entre o sudeste do país e também da fronteira com nações como Bolívia e Paraguai até o Nordeste. Curiosamente, segundo a Polícia Civil, muitas empresas de transporte sequer sabiam que estavam levando as substâncias ilícitas, que eram colocadas nos veículos de forma clandestina.
"São Paulo era o grande hub da operação, o centro de distribuição da droga", afirmou o delegado Victor Melo durante coletiva de imprensa. O investigador destacou que "Chocô" não colocava a mão diretamente nas drogas, mas articulava o envio de grandes cargas desde 2023, quando começou a ser monitorado pelas autoridades.
Alcance nacional da operação policial
Até o final da manhã de quinta-feira, já tinham sido cumpridos 26 mandados de prisão de um total de 44 expedidos pela Justiça. A ação abrangeu quatro estados brasileiros:
- Paraíba: 32 mandados de prisão preventiva
- São Paulo: 10 mandados de prisão preventiva
- Bahia: 1 mandado de prisão preventiva
- Mato Grosso: 1 mandado de prisão preventiva
Além disso, a operação cumpriu 45 mandados de busca e apreensão, envolvendo aproximadamente 400 policiais em todas as frentes de ação. Para enfraquecer financeiramente a organização criminosa, a Justiça autorizou medidas contundentes:
- Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias ligadas a 199 investigados
- Sequestro de 13 imóveis de alto valor
- Sequestro de 40 veículos, incluindo carros de luxo e frotas de transporte
Ligações com lavagem de dinheiro e licitações
Uma das linhas de investigação mais preocupantes da Operação Argos aponta que empresas envolvidas na lavagem de dinheiro do tráfico de drogas também participavam de licitações em prefeituras, como a de Pombal na Paraíba. Embora não haja indícios concretos sobre o envolvimento das administrações municipais até o momento, essa conexão levanta questões sobre a infiltração do crime organizado no setor público.
O delegado Victor Melo adiantou que todo material apreendido nesta primeira fase será minuciosamente analisado, sendo provável que a operação seja desdobrada em uma nova etapa. As autoridades acreditam que a prisão de "Chocô" e a apreensão de seus bens representam um golpe significativo na estrutura de distribuição de drogas para a região Nordeste.
Natural de Cajazeiras, Jamilton Alves Franco vinha sendo monitorado desde o ano passado, quando seu nome começou a aparecer repetidamente em grandes operações de combate ao tráfico de drogas. Sua captura marca um ponto crucial na investigação que busca desmantelar completamente esta organização criminosa de alcance interestadual.



