Empresário neto de fundadores da Miragina é preso por tráfico e lavagem de dinheiro no Acre
Neto de fundadores da Miragina preso por tráfico no Acre

Operação Regresso prende empresário neto de fundadores da tradicional indústria acreana Miragina

Abrahão Felício Neto, neto dos fundadores do Grupo Miragina, foi preso nesta quarta-feira (11) durante a Operação Regresso da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Acre (Ficco-AC). A ação policial resultou na apreensão de uma pistola de uso restrito, uma arma artesanal, munições e maconha no apartamento do empresário em Rio Branco.

Mandados judiciais e apreensões

A 1ª Vara Criminal de Rio Branco expediu o mandado de prisão preventiva de Abrahão Neto e de outros quatro investigados no último dia 5 pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro. Ele deve passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (12).

Durante a revista no apartamento, os policiais encontraram:

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  • Uma pistola Imbel calibre .40, carregada e municiada, dentro do guarda-roupa
  • Um revólver garrucha Rossi sem documentação em um armário
  • Uma porção de maconha
  • Celulares de Abrahão e da esposa
  • Dois carros usados pelo casal, documentados no nome da mãe de Abrahão

Segundo o processo, Abrahão declarou que a pistola era de sua propriedade mas não possuía registro, alegando que passou a portar a arma porque o condomínio já havia sido alvo de invasão. Sobre o revólver, explicou que o teria ganhado aos 12 anos, tratando-o como "item de valor sentimental".

Investigações apontam estruturação criminosa

As investigações conduzidas pelas polícias Federal, Civil, Militar e Penal indicam que o grupo atuaria de maneira estruturada no envio de drogas para outros estados. A Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 5 milhões.

"Um dos líderes do grupo investigado, oriundo de uma conhecida família acreana, exercia papel central na coordenação das atividades ilícitas, articulando negociações e logística para o transporte das drogas", afirmou o delegado Rodrigo Muniz.

Ao longo da apuração, foram identificados ao menos cinco episódios relacionados ao tráfico, resultando na apreensão de aproximadamente 350 quilos de cocaína no Acre, Pará e Goiás. A investigação também apura a utilização de mecanismos para ocultação de patrimônio, com movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada.

Empresa familiar nega envolvimento

A Miragina, uma das empresas mais tradicionais do Acre que trabalha com alimentos desde 1967, foi fundada por Abrahão Felício e Miriam Assis Felício, avós do empresário preso. A indústria tem mais de 20 produtos, incluindo derivados da castanha do Brasil.

Em nota, a Polícia Federal destacou que o investigado "se utilizou indevidamente da estrutura da empresa para a prática dos ilícitos". Contudo, o advogado da empresa, Gilliard Nobre Rocha, informou ao g1 que Abrahão Neto não "possui qualquer participação, cargo de direção ou vínculo administrativo ou trabalhista com a Miragina S/A".

A empresa divulgou nota oficial afirmando que não é alvo da operação e que mantém suas atividades regulares, prezando pela transparência e conformidade legal. A PF-AC confirmou que a empresa não foi alvo da operação, mas cumpriu diligências na sede da Miragina nesta quarta-feira.

Histórico de apreensão envolvendo produtos Miragina

Em dezembro de 2022, a empresa já esteve no centro de outra polêmica quando um caminhão que transportava biscoitos Miragina foi apreendido com 468 kg de cocaína na BR-070, em Poconé, pela Polícia Rodoviária Federal.

Na época, a empresa divulgou nota afirmando que "não possuía qualquer responsabilidade quanto à guarda e transporte dos produtos por ela vendidos, tão logo sejam retirados pelos clientes em sua fábrica".

O motorista detido na ocasião afirmou que levaria o caminhão a pedido de alguém que não conhecia pessoalmente, apenas por mensagens em aplicativo, e que o veículo iria para o Rio Grande do Norte, onde seria entregue a um comprador.

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Ampliação da operação

Além de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, as ordens judiciais foram cumpridas também em Aracaju (Sergipe), onde a polícia apreendeu cinco veículos e R$ 8 em dinheiro. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra investigados.

A operação continua em andamento, com as autoridades investigando as ramificações do suposto esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que teria utilizado a estrutura de empresas legítimas para ocultar atividades criminosas.