Ingride Fontinelles Morais, identificada pela polícia como companheira do líder de uma facção criminosa atuante em Sorriso, no Mato Grosso, está cumprindo prisão domiciliar após a concessão de um habeas corpus pela Justiça. A decisão, homologada na última sexta-feira (6), permite que ela permaneça em casa, mas sob rigorosas medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento contínuo.
Detenção e contexto criminal
A mulher foi presa em agosto de 2025, durante uma operação realizada em um shopping center no Rio de Janeiro. Ela responde a processos por associação a facções criminosas e tráfico de drogas, crimes que a vinculam a uma rede de organizações ilícitas com atuação no estado mato-grossense. A prisão ocorreu em conjunto com Priscila Moreira Janis, que assumiu a chefia do grupo criminoso em 2022.
Concessão do habeas corpus e justificativas
A defesa de Ingride Fontinelles argumentou, com sucesso, que ela é a única responsável pelas duas filhas, com idades de cinco e dois anos. O pedido de habeas corpus destacou a ausência de uma rede de apoio familiar, uma vez que o pai das crianças, a avó materna e a irmã da acusada encontram-se presos ou foragidos. A avó paterna, por sua vez, foi considerada incapaz de acolher as menores devido à idade avançada e limitações financeiras.
Medidas cautelares impostas
A Justiça estabeleceu uma série de condições rigorosas para o cumprimento da prisão domiciliar. As determinações incluem:
- Monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira, garantindo vigilância constante;
- Comparecimento mensal em juízo para prestar contas e justificar suas atividades;
- Proibição de sair ou alterar o endereço residencial sem autorização judicial prévia;
- Vedação de ausência da cidade sem permissão antecipada;
- Impedimento de manter qualquer contato com testemunhas arroladas no processo;
- Autorização para saídas exclusivamente em casos de comparecimento a audiências judiciais, quando intimada, e para levar as filhas a consultas médicas, mediante comunicação prévia ao juízo.
Conflitos internos no crime organizado
As investigações policiais revelaram que Priscila Moreira Janis, coautora dos crimes, adotou uma postura extremamente violenta ao assumir a liderança da facção. Essa conduta provocou uma divisão interna significativa, com membros insatisfeitos com o alto número de punições internas, conhecidas como salves, e decretos de morte ordenados por ela. A ruptura resultou na criação de uma facção rival, intensificando a disputa pelo controle territorial na região e levando à morte de diversos integrantes do crime organizado.
O caso ilustra os desdobramentos complexos da atuação de facções criminosas no Brasil, envolvendo não apenas a repressão policial, mas também questões familiares e sociais que influenciam as decisões judiciais. A prisão domiciliar de Ingride Fontinelles, embora restritiva, reflete uma ponderação entre a gravidade dos crimes e a necessidade de preservar o bem-estar das crianças envolvidas.



