Relator da CPI do Crime Organizado revela que Alcolumbre não prorrogará comissão
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Crime Organizado, confirmou publicamente que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não prorrogar o prazo de funcionamento da comissão. A CPI foi instalada no início de novembro e tem seu encerramento oficial marcado para a próxima terça-feira, dia 14 de maio.
Justificativa eleitoral e críticas do relator
Segundo o relator Alessandro Vieira, Alcolumbre atribuiu a decisão de não estender o prazo aos possíveis problemas que a comissão poderia causar em um ano eleitoral. Vieira expressou sua insatisfação, afirmando que o relatório final será apresentado no último dia de atividades, baseando-se nas informações já coletadas até o momento.
O pedido de prorrogação havia sido formalmente apresentado por Vieira na segunda-feira, dia 6 de maio, e contou com o apoio expressivo de 28 senadores. No documento, o relator argumentou que o colegiado reuniu um "volume monumental" de documentos que necessitam de análise mais aprofundada.
Falta de tempo para investigações cruciais
Vieira destacou que a CPI não teve prazo suficiente para concluir um diagnóstico completo sobre a atuação de facções criminosas e milícias em diferentes estados do Brasil. Entre os pontos pendentes, o relator mencionou a necessidade de:
- Cruzar os dados já coletados de maneira mais eficaz;
- Ouvir investigados e testemunhas que ainda não foram convocados;
- Realizar audiências com governadores e secretários de segurança de diversas regiões do país.
Caso do ex-governador do Distrito Federal
Nesta terça-feira, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, não compareceu à comissão, mesmo após ter sido convidado em fevereiro e, posteriormente, convocado pelo grupo. Rocha obteve autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para não prestar depoimento, levantando críticas sobre decisões que liberam comparecimentos.
O presidente da CPI já havia manifestado preocupação com tais autorizações, que podem impactar o andamento das investigações. A ausência de Rocha reforça os argumentos de Vieira sobre a necessidade de mais tempo para ouvir figuras-chave no inquérito.
Com o prazo se esgotando, a CPI do Crime Organizado enfrenta desafios para finalizar suas análises, enquanto o relator se prepara para apresentar um relatório baseado nos dados disponíveis, sem a extensão desejada para aprofundar as investigações.



