STJ mantém prisão de psiquiatra acusado de abusos sexuais contra pacientes em Marília
STJ mantém prisão de psiquiatra por abusos sexuais em Marília

STJ mantém prisão de psiquiatra acusado de abusos sexuais contra pacientes em Marília

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, de forma unânime, manter a prisão preventiva do médico psiquiatra Rafael Pascon dos Santos, acusado de estupro e importunação sexual contra pacientes na região de Marília, no interior de São Paulo. A decisão, acessada pelo g1 nesta quarta-feira (16), foi tomada pela Sexta Turma da Corte, rejeitando um pedido de habeas corpus da defesa que alegava falta de fundamentação adequada e insuficiência de provas.

Argumentos da defesa e resposta do STJ

A defesa do psiquiatra argumentou que a prisão foi decretada sem base sólida, baseando-se apenas na gravidade dos crimes, e que medidas alternativas à prisão poderiam ser adotadas. No entanto, o STJ entendeu que não poderia analisar o pedido neste momento, pois o habeas corpus ainda não foi julgado completamente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A legislação impede que instâncias superiores intervenham antes da decisão final do tribunal de origem, salvo em situações excepcionais, e os ministros não identificaram ilegalidade evidente que justificasse uma intervenção imediata.

O relator destacou que a prisão preventiva possui fundamentos concretos, incluindo relatos de vítimas com descrições semelhantes de condutas inadequadas durante atendimentos profissionais. A decisão também considerou o risco de repetição dos crimes, a possibilidade de interferência na investigação e a necessidade de garantir a ordem pública, concluindo que medidas cautelares alternativas não seriam suficientes.

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Contexto dos processos e denúncias

Rafael Pascon dos Santos é réu em dois processos na Justiça, com um total de 32 denúncias, incluindo casos de importunação sexual e estupro. Os crimes investigados teriam ocorrido durante consultas médicas nas cidades de Marília, Garça e Lins, envolvendo pacientes com idades em torno dos 30 anos. O primeiro processo, que tramita desde o ano passado, levou à prisão preventiva do médico, enquanto o segundo começou a tramitar após decisão da Justiça em fevereiro deste ano.

As vítimas relataram situações como toques, comentários de conotação sexual, abraços forçados e até estupro durante atendimentos. Uma paciente, em entrevista à TV TEM, descreveu como o médico a chamou de "gostosa" e a estuprou em seu consultório particular em agosto de 2024, deixando-a em estado de choque. Outras vítimas, incluindo uma mulher de 65 anos e uma jovem de 24 anos, relataram comportamentos inapropriados em consultas no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Garça.

Detalhes da prisão e andamento do caso

Rafael Pascon foi preso preventivamente em 22 de outubro de 2025, após diligências no consultório e na casa dele em Marília. O inquérito foi concluído em 31 de outubro, com indiciamento por importunação sexual e estupro de vulnerável. O médico se apresentou à delegacia acompanhado por advogados, mas permaneceu em silêncio durante o depoimento. O pedido de habeas corpus foi negado em 10 de novembro, e a Justiça também rejeitou a solicitação de revogação da prisão, mantendo-o preso na penitenciária de Gália (SP).

O processo continua em andamento na Justiça estadual, onde o mérito do pedido de habeas corpus ainda será analisado. A defesa do médico afirmou que aguarda o julgamento pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, enquanto o STJ reforçou a importância da prisão preventiva para evitar novos crimes e assegurar a investigação.

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