Entenda a diferença entre endemia, epidemia e pandemia
Diferença entre endemia, epidemia e pandemia

O recente surto de hantavírus trouxe novamente à tona termos que se tornaram amplamente conhecidos durante a pandemia de covid-19: endêmico, epidêmico e pandêmico. Esses conceitos frequentemente são confundidos ou mal utilizados no debate público, mas na epidemiologia possuem significados precisos. O ponto fundamental é que eles descrevem como uma doença se propaga – e não o quão perigosa ela é. Então, afinal, o que esses termos realmente significam?

Endemia: ameaça constante

Uma doença que ocorre regularmente em certas regiões é chamada de endêmica. Em uma endemia, o número de doentes permanece relativamente estável ao longo do tempo. A incidência da doença é maior em uma área do que em outras, mas não aumenta com o passar dos anos. Em um determinado período, há aproximadamente o mesmo número de novos casos. Um exemplo clássico é a malária, que afeta 300 milhões de pessoas no mundo a cada ano, principalmente nos trópicos. Ser endêmico não significa ser inofensivo. Doenças endêmicas podem ser graves ou fatais. A característica que as define não é o impacto sobre os indivíduos, mas sua ocorrência constante e geograficamente limitada.

Epidemia: uma região apenas

Se o número de doentes em uma determinada região ultrapassa o nível (endêmico) normalmente esperado, fala-se em epidemia. Quando os casos de doença são restritos a um local, costuma-se chamar de surto. Uma epidemia ocorre, por exemplo, quando a virulência de um patógeno específico muda: um vírus sofre mutação e se torna mais contagioso. Também pode ocorrer quando uma enfermidade é introduzida em uma nova área. O pré-requisito é que a doença possa ser transmitida entre humanos. Um exemplo é a varíola, trazida pelos conquistadores europeus às Américas no início do século 16. Como a população indígena nunca havia tido contato com o patógeno, não possuía resistência. Algumas estimativas indicam que até 90% da população indígena das Américas foi vítima da varíola.

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Pandemia: propagação mundial

Se uma doença se dissemina não apenas regionalmente, mas entre países e continentes, os especialistas a chamam de pandemia. Isso significa, acima de tudo, que o controle bem-sucedido da doença depende da cooperação entre os sistemas de saúde de diferentes países. Isso não quer dizer que a doença seja particularmente perigosa ou letal. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, as pandemias são causadas principalmente por novos patógenos ou tipos de vírus. Por exemplo, podem ser zoonoses, ou seja, doenças transmitidas de animais para humanos. Quando uma doença é nova entre os seres humanos, poucos estão imunes ao vírus. Nesse caso, também não há vacinas, e o número de enfermos costuma ser alto. O grau de periculosidade ou mortalidade depende do vírus específico e do estado de saúde do paciente. Mesmo que uma doença seja inofensiva na maioria dos casos, em termos percentuais, em uma pandemia, o número de casos graves pode ser muito alto devido à grande quantidade de infecções. A gripe é um exemplo de doença que repetidamente assume proporções pandêmicas. A gripe espanhola de 1918 causou entre 25 milhões e 50 milhões de mortes, muito mais do que a Primeira Guerra Mundial. A gripe suína H1N1 também desencadeou uma pandemia em 2009. Mesmo em uma pandemia, áreas isoladas, como ilhas ou regiões montanhosas, podem ser poupadas da doença. No entanto, o tráfego aéreo favorece a disseminação de pandemias.

Epidemias que não são exatamente isso

Os termos epidemia e pandemia normalmente se referem a doenças infecciosas. No entanto, como transmitem a ideia de necessidade de ação urgente, doenças não transmissíveis ou hábitos prejudiciais à saúde às vezes também são chamados de epidemias. Assim, essas formulações são essencialmente metafóricas, como por exemplo, “epidemia de diabetes” ou “epidemia de opioides”.

Este artigo foi originalmente publicado em 18 de fevereiro de 2020 e foi atualizado.

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