STF inicia julgamento histórico dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes
STF julga mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

STF inicia julgamento histórico dos acusados de mandar matar Marielle Franco e Anderson Gomes

Os familiares de Marielle Franco, vereadora brutalmente assassinada no Rio de Janeiro em março de 2018, depositam suas esperanças no Supremo Tribunal Federal (STF), que começa nesta terça-feira (24) um julgamento considerado crucial para a justiça brasileira. A Primeira Turma da Corte analisará os casos dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, além do delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, acusados de serem os mandantes do crime que também vitimou Anderson Gomes, motorista que acompanhava a parlamentar.

Expectativa da família após oito anos de espera

Marinete Silva, mãe de Marielle Franco, expressou um misto de esperança e desgaste após quase uma década de buscas por respostas. "Depois de oito anos, não tem como a gente não esperar que tenha um resultado positivo em relação aos mandantes. Tem se arrastado aos anos todos", declarou ela, ressaltando a longa jornada até este momento decisivo. A prisão dos três réus ocorreu em 24 de março do ano passado, mas eles seguem negando as acusações.

Para Marinete, a revelação do envolvimento do delegado Rivaldo Barbosa foi especialmente impactante. "Para mim foi uma surpresa. O doutor Rivaldo naquela época bateu nas nossas costas e prometeu que era uma questão de honra resolver o caso da minha filha. Eu tive um alívio porque era um homem que tinha um compromisso com a instituição, com o povo brasileiro", relatou ela, destacando a decepção com a figura que inicialmente inspirou confiança.

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Mistério sobre a motivação do crime persiste

Apesar do tempo decorrido, a família ainda não consegue identificar claramente o motivo por trás do assassinato. Marinete Silva refletiu sobre a complexidade da questão: "O porquê disso [assassinato], vai ficar muito, muito difícil de responder para qualquer pessoa. Pela atuação, pelo o que a Marielle representava, pela mulher que ela se tornou depois da vereança, pelos dez anos de comunicação na Alerj como coordenadora de direitos humanos... É muito difícil [dizer o motivo]". A trajetória de Marielle como defensora dos direitos humanos e sua ascensão política tornam o crime ainda mais enigmático e simbólico.

Contexto do julgamento e condenações anteriores

Este julgamento ocorre após a condenação, em outubro de 2024, dos executores diretos do crime. Dois ex-policiais militares foram sentenciados:

  • Ronnie Lessa, identificado como autor dos disparos, recebeu pena de 78 anos e 9 meses de prisão.
  • Élcio Queiroz, que dirigiu o veículo utilizado no ataque, foi condenado a 59 anos e 8 meses de prisão.

Segundo análises internas, o julgamento dos mandantes é visto por ministros do STF como uma oportunidade estratégica. A Corte busca se posicionar em um tema com amplo apoio popular, o que pode ajudar a aliviar o clima de crise que tem permeado o tribunal. Este processo não apenas visa responsabilizar os acusados, mas também restaurar parte da confiança pública na justiça brasileira, marcando um capítulo fundamental na luta contra a impunidade em crimes de grande repercussão.

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