Roubo Histórico de Obras de Arte Prescreve Após Duas Décadas no Rio
Em um episódio que marcou o Carnaval de 2006, um dos maiores roubos de arte do Brasil, com quadros de mestres como Claude Monet, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Henri Matisse, prescreve oficialmente esta semana, após 20 anos sem solução. O crime, avaliado em mais de US$ 10 milhões na época, ocorreu durante o Bloco das Carmelitas, em Santa Teresa, Rio de Janeiro, com os ladrões sumindo em meio à multidão de foliões.
Suspeitos e Investigações Conturbadas
Três nomes foram alvo das investigações ao longo dos anos. Paulo Gessé, dono de uma kombi branca, foi preso brevemente, mas liberado por falta de provas. Michel Cohen, negociador francês acusado de fraudes nos EUA, fugiu da Interpol e só reapareceu em um documentário em 2019. Patrice Rouge, artesão francês radicado no Brasil, foi incluído após denúncia anônima, mas sempre negou envolvimento.
Entrevista Exclusiva com Patrice Rouge
Pela primeira vez, Patrice Rouge concedeu entrevista, direto de Avignon, França, onde reside atualmente. “Essa história toda é completamente absurda. Eu estava na França quando soube do roubo e fiquei chocado com a acusação”, afirmou. Ele destacou que visitou o Brasil diversas vezes nos últimos anos, inclusive indo à Polícia Federal para documentar suas entradas, demonstrando que não teme a Justiça. “Se eu fosse culpado, me esconderia, mas nunca tive problemas legais”, completou.
Descaso Institucional e Falhas na Investigação
A jornalista Cristina Tardáguila, autora do livro A Arte do Descaso, publicado em 2015, critica a falta de empenho das autoridades. “Houve descaso do museu, do governo, da polícia e da mídia”, disse. Ela relatou uma série de erros, como a demora da polícia em chegar ao local, a circulação de pessoas no museu sem preservar provas, e um comunicado da PF incompleto, sem fotos ou detalhes das obras. O inquérito policial chegou a desaparecer em 2014, sendo encontrado apenas no final de 2015.
Consequências e Situação Atual
Com a prescrição, os responsáveis não poderão mais ser punidos. O Ministério Público Federal informou que o processo foi arquivado provisoriamente devido à falta de autoria definida, sem data específica no sistema. A Polícia Federal não se manifestou sobre o caso. As obras, valorizadas em milhões, permanecem desaparecidas, simbolizando uma falha na proteção do patrimônio cultural brasileiro.



