Polícia mira 'núcleo político' do Comando Vermelho no Amazonas em operação nacional
Polícia mira 'núcleo político' do Comando Vermelho no AM

Polícia Civil do Amazonas desarticula suposto 'núcleo político' do Comando Vermelho em operação nacional

A Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Erga Omnes na última sexta-feira (20), com o objetivo de desarticular um suposto "núcleo político" ligado à facção Comando Vermelho (CV). A ação emergiu após a apreensão de aproximadamente 500 tabletes de maconha skunk e outros materiais utilizados no tráfico, o que motivou os investigadores a expandir a apuração para uma rede com atuação dentro de órgãos públicos e movimentação financeira suspeita.

Operação cumpre mandados em sete estados e resulta em prisões e apreensões

A operação executou mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão não apenas no Amazonas, mas também em outras seis unidades da federação. Até o momento, 14 indivíduos foram presos, incluindo oito no Amazonas, enquanto nove investigados permanecem foragidos, entre eles o líder apontado pelas autoridades. A ação também levou à apreensão de carros de luxo, quantias em dinheiro em espécie e documentos relevantes para as investigações.

Como a investigação começou e evoluiu para o 'núcleo político'

A investigação teve início com a apreensão de cerca de 500 tabletes de maconha skunk, além de armas, embarcações e um veículo usados no transporte de drogas. A partir desse flagrante, a Polícia Civil abriu um inquérito e passou a rastrear as ramificações do tráfico, identificando a existência de um grupo estruturado. Esse grupo, denominado "núcleo político", envolvia pessoas com influência ou cargos em órgãos públicos, atuando como facilitadores para a facção criminosa.

Estrutura e funcionamento do grupo criminoso

De acordo com as investigações, o grupo utilizava empresas de fachada nos setores de transporte e logística para ocultar recursos e facilitar a compra e envio de entorpecentes, incluindo drogas adquiridas no exterior e trazidas para Manaus. Essas empresas teriam movimentado cerca de R$ 1,5 milhão diretamente para a organização criminosa, com uma estimativa de movimentação total na casa de R$ 70 milhões desde 2018.

Perfil dos presos e investigados

Entre os detidos no Amazonas, destacam-se:

  • Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), suspeito de fornecer informações sigilosas de processos;
  • Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete da Assembleia Legislativa do Amazonas;
  • Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da comissão de licitação da Prefeitura de Manaus;
  • Alcir Queiroga Teixeira Júnior – envolvido em movimentações financeiras suspeitas;
  • Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
  • Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
  • Bruno Renato Gatinho Araújo – suspeito de participação no esquema;
  • Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara por suposta participação.

Em outros estados, pelo menos uma mulher identificada como Lucila Meireles Costa foi presa em Teresina, no Piauí, sob suspeita de atuar como falsa advogada para corromper servidores do Judiciário.

Líder foragido e métodos de despiste

Allan Kleber Bezerra Lima é apontado pela polícia como o líder do "núcleo político" do Comando Vermelho no Amazonas. A investigação revela que ele usava igrejas evangélicas para tentar despistar as autoridades, frequentando cultos, vestindo roupas associadas à comunidade religiosa e, em um caso, escondendo drogas dentro de um templo na Zona Leste de Manaus. Atualmente, ele está foragido.

Acesso a informações sigilosas e responsabilização

Prints de conversas obtidos durante a investigação mostram diálogos entre suspeitos e um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, incluindo referências a transferências via Pix e consultas sobre a expedição de mandados de prisão. Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e, no caso de servidores, por eventuais delitos ligados ao exercício do cargo. A investigação segue em andamento, e a Polícia Civil não informou se haverá novas etapas da operação.

Posicionamento das autoridades envolvidas

O Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já adotou medidas administrativas em relação ao servidor citado, reafirmando seu compromisso com a legalidade, transparência e integridade. A Universidade do Estado do Amazonas declarou que não se responsabiliza por atos praticados por servidores fora do âmbito institucional. A Polícia Militar do Amazonas afirmou que o cabo preso responderá aos procedimentos na Justiça e aos trâmites administrativos na corporação, com um procedimento instaurado na Diretoria de Justiça e Disciplina. A Prefeitura de Manaus esclareceu que não é alvo da operação e que eventuais servidores investigados responderão individualmente por seus atos, conforme a lei.