Policial militar é condenado a 11 anos por assalto usando farda no Amapá
O soldado da Polícia Militar do Amapá (PM), Gilvan Endryl Seixas Barros, de 23 anos, foi condenado a 11 anos e 8 meses de prisão após participar de um assalto a um mercantil no distrito de Abacate da Pedreira, zona rural de Macapá, em 12 de setembro de 2025. A decisão foi proferida pela juíza Marina Lustosa em audiência realizada nesta sexta-feira (13), em Macapá, com a participação do Conselho Permanente de Justiça Militar, formado por quatro oficiais da PM e pela juíza auditora.
Detalhes do crime e condenação
Segundo as investigações, o policial utilizou sua farda e uma pistola calibre .40 da corporação para dar aparência de legalidade à abordagem e esconder sua identidade durante o assalto. Para justificar a posse da arma, ele apresentou um documento com assinatura falsa. A juíza ressaltou que o Direito Penal Militar não admite a banalização de seus símbolos, destacando que a tentativa do réu de ocultar a identidade mostrou intenção não só de roubar, mas também de buscar impunidade.
O conselho concluiu que o soldado usou o fardamento oficial para gerar falsa sensação de segurança e facilitar o crime. Desde o ocorrido, ele está preso no Centro de Custódia do Instituto de Administração Penitenciária do Estado (Iapen), no bairro Zerão, na Zona Sul de Macapá. Outro homem também foi preso no caso, e ambos foram reconhecidos pelas vítimas.
Investigação e apreensões
A polícia chegou aos suspeitos após denúncia de assalto ao mercantil, onde eles fugiam pela rodovia AP-70 em um carro de passeio. Na abordagem realizada pela Companhia Independente de Patrulhamento Tático com Apoio de Motocicletas da Polícia Militar (Patamo), o soldado estava com a farda da PM, a pistola .40 e um simulacro de arma de fogo tipo airsoft. O segundo suspeito usava roupas semelhantes às das Forças Armadas.
No veículo, foram encontrados maconha, dinheiro, cartão de crédito da vítima e produtos alimentícios roubados, totalizando R$ 39 em valores. Todos os itens foram reconhecidos pelas vítimas do assalto.
Caso relacionado e contexto
Além do assalto, o policial militar também é investigado pela morte do personal trainer Daniel Cesar Del Castilho da Silva, de 36 anos, cujo corpo em decomposição foi encontrado na comunidade do Curiaú, na AP-070, no mesmo dia do crime. Suspeita-se que o cadáver estava no local há cerca de seis a sete dias, e o carro usado na fuga pertencia ao pai de Daniel.
Gilvan, que faz parte da turma de 2024 da corporação e prestava serviço no município de Oiapoque, no norte do Amapá, não tinha registros semelhantes anteriores. A condenação reforça a atuação da justiça militar em casos de desvio de conduta por parte de militares, visando preservar a integridade das instituições.



