Polícia Federal desarticula esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e traficantes no Rio
A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (10) uma nova fase da Operação Anomalia, resultando na prisão de um delegado e dois policiais civis suspeitos de favorecer traficantes do Comando Vermelho no estado do Rio de Janeiro. As investigações apontam que os agentes públicos atuavam em conluio com a organização criminosa, negociando propinas para proteger criminosos de depoimentos e ações policiais.
Esquema de corrupção e patrimônio incompatível
Um dos policiais civis presos, Leandro Moutinho de Deus, foi detido em um apartamento de luxo localizado na Barra da Tijuca, com vista para o mar. As autoridades constataram que o imóvel possui um valor incompatível com o salário mensal de R$ 6,9 mil que o agente recebe na Polícia Civil do Rio. Essa discrepância financeira foi um dos elementos que levantou suspeitas sobre atividades ilícitas.
Além dele, foram presos o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves e seu irmão, o policial civil Franklin José de Oliveira Alves. Segundo as investigações da PF, o delegado era responsável por intimar traficantes, enquanto os policiais integrados à quadrilha negociavam o pagamento de propinas em dinheiro vivo. O objetivo era livrar os criminosos de prestarem depoimentos, permitindo que continuassem praticando delitos impunemente.
Segunda fase da Operação Anomalia e apreensões
Esta segunda etapa da operação, que combate conexões entre organizações criminosas e agentes públicos no Rio, cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Durante as ações, os policiais federais apreenderam:
- Quase R$ 50 mil em espécie
- Vários celulares
- Armas de fogo
- Munição
Outro alvo das investigações, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, já se encontrava preso desde 2025. Ele atuava como assessor do ex-deputado estadual Thiego dos Santos, conhecido como TH Joias, e ambos estão detidos por suspeita de ligação com o Comando Vermelho.
Primeira fase e reações
Na segunda-feira (9), durante a primeira fase da Operação Anomalia, a PF já havia prendido um delegado da própria Polícia Federal, uma advogada e um ex-secretário estadual de Esportes do Rio. Todos são investigados por supostamente favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas que está preso no Brasil.
A defesa do delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves afirmou que ele está surpreso com a prisão e nega a prática de qualquer crime. A Polícia Civil do Rio declarou que irá apurar a conduta dos servidores envolvidos no caso. O Jornal Nacional, responsável pela reportagem inicial, não conseguiu estabelecer contato com os outros citados na investigação.
A Operação Anomalia continua em andamento, demonstrando o compromisso das autoridades em combater a infiltração de agentes públicos em esquemas criminosos, especialmente aqueles ligados ao tráfico de drogas no estado do Rio de Janeiro.



