O Tribunal Superior Anticorrupção da Ucrânia decretou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, a prisão preventiva de Andriy Yermak, ex-chefe de gabinete do presidente Volodymyr Zelensky, sob acusações de lavagem de dinheiro. A medida ocorre em meio a uma ampla investigação que abala o núcleo do poder ucraniano.
Entenda o caso
Segundo as agências anticorrupção ucranianas, Yermak é suspeito de integrar um grupo criminoso que teria lavado aproximadamente US$ 10,5 milhões (cerca de 51,6 milhões de reais) por meio de transações imobiliárias de luxo nos arredores de Kiev, a capital do país. O tribunal determinou a prisão preventiva por 60 dias, contados a partir da detenção efetiva, e fixou fiança de 140 milhões de grívnias (equivalente a 15,8 milhões de reais).
Reação de Yermak
Durante a audiência, Yermak declarou: “Mantenho a minha posição. Vou contestar qualquer acusação apresentada contra mim”. Ele afirmou que seus advogados recorrerão da decisão. Questionado sobre a possibilidade de pagar a fiança, respondeu: “Não tenho tanto dinheiro. Eu não esperava por isso”.
Contexto da investigação
O caso está inserido em uma investigação mais ampla sobre corrupção no alto escalão do governo ucraniano, iniciada em novembro de 2025, quando Tymur Mindich, ex-sócio de Zelensky, foi apontado como líder de um esquema que distribuiu US$ 100 milhões em propinas na agência estatal de energia atômica. Além de Yermak, o ex-vice-primeiro-ministro Oleksiy Chernyshov, aliado do presidente, também foi indiciado, embora já respondesse por abuso de poder em outro processo.
Quem é Andriy Yermak
Yermak era considerado a segunda figura mais poderosa da Ucrânia, atrás apenas de Zelensky, com influência em praticamente todas as áreas da política nacional — algo visto como desproporcional, já que seu cargo não era eletivo. Ex-produtor de cinema e advogado especializado em entretenimento, ele frequentemente acompanhava o presidente em eventos públicos e atuou como principal negociador de Kiev nas conversas de paz com a Rússia, mediadas pelos Estados Unidos. Sua renúncia no ano anterior ocorreu em meio a uma reforma ministerial que visava restaurar a confiança na presidência, então criticada por supostamente centralizar poder durante o período de guerra.



