Justiça determina perícia de sanidade mental em caso de homofobia em supermercado de BH
Perícia de sanidade mental em caso de homofobia em BH

Justiça determina perícia de sanidade mental em caso de homofobia em supermercado de BH

A Justiça de Belo Horizonte determinou a instauração de incidente de insanidade mental no processo que apura crime de injúria por orientação sexual. A decisão, assinada pelo juiz José Romualdo Duarte Mendes, da 5ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, nesta segunda-feira (23), suspende temporariamente a ação penal contra o réu, Paulo Henrique Mariano Cordeiro.

O caso e a decisão judicial

O crime ocorreu no dia 8 de junho do ano passado, no bairro Nova Suíça, na Região Oeste da capital mineira. Segundo a denúncia, Paulo Henrique fez ofensas homofóbicas contra um casal de mulheres que estava com seu filho menor, em processo de adoção, em um supermercado. O episódio foi registrado em vídeo pelas vítimas.

Durante a fase de instrução, a defesa apresentou novos relatórios médicos indicando que o acusado tem diagnóstico de epilepsia associada a comorbidades psiquiátricas, incluindo episódio depressivo moderado, transtornos ansiosos e transtorno de personalidade borderline. Com base nesses documentos, os advogados renovaram o pedido para instauração do incidente de insanidade mental.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O juiz avaliou que os novos laudos trazem informações importantes e suficientes para justificar a abertura do incidente. Em sua decisão, destacou que apenas uma perícia especializada poderá esclarecer se o réu tinha condições de entender a ilicitude de seus atos e agir de acordo com esse entendimento no momento dos fatos.

Suspensão do processo e próximos passos

Com a decisão, o magistrado determinou:

  • Abertura de procedimento separado para tratar do incidente de insanidade mental
  • Nomeação de um curador para acompanhar essa etapa
  • Suspensão do andamento da ação penal até conclusão da perícia e análise do laudo pela Justiça

O exame será realizado por um órgão oficial e deverá indicar se, na época dos fatos, o acusado era totalmente ou parcialmente incapaz de compreender que sua conduta era ilegal.

Posições das partes envolvidas

A assistência de acusação se opôs ao pedido, argumentando que o réu demonstrava plena capacidade de entender a ilegalidade de seus atos. Já o Ministério Público defendeu a realização da perícia, considerando que os novos laudos médicos levantam dúvidas sobre as condições psicológicas do acusado na época do crime.

O advogado Bruno Lemos, representante do casal vítima do ataque homofóbico, emitiu nota expressando confiança de que a Polícia Civil de Minas Gerais conduzirá a apuração com rigor técnico e responsabilidade. Ele afirmou acreditar que será reconhecido que o autor dos fatos detinha plenas condições de compreender a ilicitude de sua conduta.

O advogado Marcus Mangini, representante da defesa de Paulo Henrique, informou que tentou anteriormente o incidente de sanidade mental, mas o pedido foi negado. Durante este período, a defesa apresentou novos relatórios do serviço público de saúde e acredita que eles comprovarão as comorbidades psiquiátricas do acusado, fundamentando a defesa.

Histórico do acusado

Paulo Henrique Mariano Cordeiro, de 35 anos, tem histórico de envolvimento em conflitos:

  1. Em 2007, quando ainda era adolescente, foi apreendido após agredir a própria tia
  2. Em 2009, foi levado à delegacia por suspeita de agredir um jovem dentro de uma sauna gay no Centro de Belo Horizonte
  3. Em 2010, envolveu-se em briga na portaria de um prédio no Centro da capital, onde teria quebrado o vidro do balcão
  4. Em 2020, voltou a ser citado em boletim de ocorrência após conflito com familiar no bairro João Pinheiro

Segundo a Polícia Civil, parte desses casos dependia de representação das vítimas ou terminou sem encaminhamento formal.

Detalhes do crime

O caso ocorreu em um supermercado no bairro Nova Suíça. Segundo o boletim de ocorrência, outro casal que estava logo atrás das vítimas — entre eles Paulo Henrique — começou a ironizar o fato de se tratarem de "duas mães". A mulher que acompanhava o suspeito teria empurrado o carrinho de compras de uma das vítimas, e Paulo Henrique passou a fazer ofensas homofóbicas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

À Polícia Militar, ele confirmou o desentendimento e admitiu ter feito os insultos, alegando que estava nervoso por questões pessoais. No fim de agosto de 2025, Paulo Henrique foi indiciado pela Polícia Civil por injúria relacionada à orientação sexual.

O processo agora aguarda a conclusão da perícia de sanidade mental para determinar se o acusado tinha condições plenas de entendimento no momento do crime homofóbico.