Operação investiga infiltração de facção criminosa no mercado de combustíveis do Piauí
Um frentista que trabalhava em um dos postos da Rede Diamante, interditados na Operação Carbono Oculto 86, denunciou ter sido demitido sem receber o salário referente ao mês de janeiro e o 13º salário. A operação investiga um grupo que utilizava postos de combustível, empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A empresa informou ao g1 que, com o fechamento dos postos, bloqueio das contas e proibição de novos aportes, 74 funcionários foram demitidos. O trabalhador, que pediu para não ser identificado, relatou que foi demitido no fim de janeiro, mas continuou atuando como vigia até parte de fevereiro.
Funcionários aguardam pagamentos atrasados
Os funcionários foram informados que receberiam os pagamentos atrasados na sexta-feira, 6 de fevereiro, mas isso não ocorreu. "Estamos todos com dívidas por causa dessa situação. No próximo mês não temos renda, aqueles que saíram, e não sabemos o que vai acontecer com a gente. Deram a garantia [que iriam pagar], mas não veio nada, nem mensagem", contou o frentista.
Ele acredita que o caso só será resolvido judicialmente, mas não pode arcar com os custos de um advogado. Sebastião Oliveira, do Sindicato dos Empregados em Postos de Combustíveis Derivados de Petróleo (Sinpospetro), orientou que os funcionários cobrem seus direitos judicialmente de forma individual e informem os casos de demissão ao sindicato.
Posicionamento da Rede Diamante
A Rede Diamante emitiu uma nota explicando que, após a interdição, manteve os funcionários com recursos próprios por acreditar na reabertura dos postos. Com o bloqueio das contas e a proibição de novos aportes, o pagamento da folha se tornou juridicamente e financeiramente inviável.
A empresa destacou que busca soluções legais para a regularização das verbas trabalhistas e pagamento de direitos como FGTS e seguro-desemprego. "A decisão de proceder com os desligamentos foi extremamente dolorosa, mas necessária diante da ausência de receita e da impossibilidade legal de realizar pagamentos", afirmou a empresa.
Detalhes da Operação Carbono Oculto 86
A operação, deflagrada em 5 de novembro, teve como alvos:
- 49 postos de combustíveis de duas redes
- Empresas de fachada
- Fundos de investimento em cidades do Piauí, Maranhão e Tocantins
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo usava essas estruturas para lavar dinheiro para o PCC e ocultar patrimônio. Dos 49 postos, 42 ficam no Piauí, sendo 16 em Teresina.
Entre os bens apreendidos estão:
- Um Porsche avaliado em R$ 550 mil
- Um avião modelo Cessna Aircraft 210M, pertencente ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio
Outros 22 postos foram interditados em 11 de novembro por decisão judicial baseada em processos resultantes da operação. A empresa reforçou que se trata de suspeitas, ainda não havendo condenação ou comprovação definitiva das alegações apresentadas.



