MP-SP se posiciona a favor da prisão de proprietários de academia após tragédia em aula de natação
O Ministério Público de São Paulo emitiu um parecer favorável à prisão temporária dos três donos da academia onde uma aluna faleceu após participar de uma aula de natação. A decisão judicial sobre o pedido de prisão agora aguarda análise do Poder Judiciário, que deverá ponderar os argumentos apresentados pelas autoridades policiais e pelo MP.
Investigação aponta responsabilidade dos sócios em morte por exposição a produtos químicos
A Polícia Civil conduziu audiências separadas com os três sócios do estabelecimento: Cézar Terração e os irmãos Cesar e Celso Bertolo Cruz. Durante seu depoimento, Celso Cruz afirmou que era responsável pela manutenção do prédio e da piscina, apresentando um certificado de curso de quatro horas como comprovação de qualificação.
Em declaração à polícia, Celso Cruz foi enfático ao afirmar: "Pode afirmar com absoluta certeza que Severino errou ao manusear cloro em pó nas proximidades da piscina". A referência era a Severino José da Silva, contratado oficialmente como manobrista, mas que relatou às autoridades exercer funções de "faz tudo" na academia, recebendo orientações de Celso Cruz via mensagens de celular para realizar a manutenção da piscina.
Prisão temporária visa assegurar investigação completa, segundo delegado
Os três sócios foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio com dolo eventual - modalidade em que o agente assume o risco de provocar uma morte - e o pedido de prisão temporária foi formalizado. O delegado Rodrigo Rezende explicou a fundamentação: "O motivo da prisão temporária é garantir o sucesso da investigação, que nesse caso é muito importante para que o inquérito esteja perfeito e que os fatos estejam esclarecidos".
O Ministério Público analisou o caso e manifestou-se favorável ao pedido de prisão, concordando com a necessidade de medidas cautelares para preservar as investigações.
Manobrista não foi indiciado; polícia aponta manipulação por parte dos sócios
Em contraste com a situação dos proprietários, Severino José da Silva não recebeu qualquer indiciamento criminal. O delegado Alexandre Bento esclareceu o posicionamento: "O Severino apenas foi utilizado. Ele foi manipulado pelos sócios da empresa. O nosso entendimento é de que ele não responderá criminalmente por nenhum crime".
As investigações apontam que os sócios dificultaram significativamente o trabalho policial ao negarem acesso aos produtos químicos utilizados na piscina e à lista de alunos que frequentavam as aulas de natação. Além disso, não procuraram espontaneamente a delegacia, que se localiza do outro lado da rua do estabelecimento.
Mãe da vítima relata dor e busca por justiça
Nívea Faustino Basseto, mãe de Juliana Faustino Bassetto - a professora que faleceu após a aula de natação - expressou sua angústia: "Parece que eu estou vivendo um pesadelo. Eu gostaria da minha filha de volta. Isso é o que eu gostaria. A gente tem que falar que não quer que aconteça com mãe nenhuma, com filha nenhuma. Ela perdeu a vida por responsabilidade de uma pessoa. É um sentimento bem difícil de aceitar".
A família encontra algum consolo na recuperação do genro Vinícius, que nesta quinta-feira (12) conseguiu ingerir líquidos, e nas homenagens prestadas pela escola onde Juliana lecionava.
Defesa dos acusados contesta indiciamento antes da conclusão pericial
Os advogados responsáveis pela defesa dos três sócios da academia emitiram nota afirmando que seus clientes estão colaborando integralmente com as investigações. A defesa manifestou indignação com o indiciamento criminal antes da conclusão dos laudos periciais, argumentando que a decisão foi precipitada.
O caso segue sob análise da Justiça, que deverá decidir sobre o pedido de prisão temporária dos proprietários enquanto as investigações sobre as circunstâncias da morte da professora durante a aula de natação continuam em andamento.



