Ministérios repudiam homenagem do Vasco-AC a jogadores suspeitos de estupro coletivo
Ministérios repudiam homenagem a atletas suspeitos de estupro

Ministérios repudiam homenagem do Vasco-AC a jogadores suspeitos de estupro coletivo

Uma nota conjunta dos ministérios das Mulheres e do Esporte classificou como "inaceitável" a homenagem realizada por jogadores do Vasco-AC a três dos quatro companheiros presos sob suspeita de estupro coletivo. O gesto ocorreu durante uma partida pela Copa do Brasil, na quinta-feira (19), quando o time acreano entrou em campo com camisas que estampavam os nomes dos atletas investigados.

Contexto do caso e investigações em andamento

Os jogadores Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior são investigados pelo estupro de duas mulheres dentro do alojamento do clube, na madrugada de 13 de fevereiro, em Rio Branco. O caso resultou na prisão em flagrante do primeiro no dia 14 de fevereiro e na decretação de prisão temporária dos outros três no dia 17. Todos os envolvidos negam as acusações.

Na publicação oficial, os ministérios também citaram que o jogo marcou a estreia do goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo homicídio de Eliza Samúdio. "Os ministérios manifestam solidariedade às vítimas e reafirmam confiança na atuação célere e transparente da Justiça, com respeito ao devido processo legal", afirmou a nota.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O texto ainda destacou: "É inaceitável que o esporte, espaço de formação e inspiração para a juventude, seja utilizado para naturalizar ou relativizar a violência contra a mulher". A declaração reforça a necessidade de enfrentamento firme e coordenado de todas as formas de violência contra meninas e mulheres, além da importância de políticas públicas que promovam ambientes seguros, justos e livres de violência.

Investigações do Ministério Público e polêmicas adicionais

O gesto dos atletas está sendo investigado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC). Além dessa ação, o órgão também vai conduzir investigação própria sobre a denúncia de violência sexual que, segundo as vítimas, ocorreu no último dia 13. O MP-AC vai analisar se houve possível omissão da justiça desportiva do estado.

Ainda segundo informações do Ministério Público, serão apuradas as declarações do técnico da equipe, Eric Rodrigues, que foram exibidas em programas de TV locais após a repercussão do caso. Uma nota assinada pela secretária estadual da Mulher, Márdhia El-Shawwa, afirmou que as afirmações de Rodrigues desqualificam o trabalho da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e reforçam a culpabilização das vítimas.

Em entrevista ao g1 na terça-feira (17), o treinador disse que esta não foi a primeira vez que os jogadores levaram mulheres para o alojamento, comportamento proibido pelo time. "Você tá falando de homem, longe de casa, longe de família, longe de tudo. Essas mulheres invadem o alojamento [...] não foi uma nem duas não, tá?! Um monte, porque elas são Maria Chuteira [...] elas ficam alucinadas por causa dos moleques", complementou.

Detalhes das investigações policiais e situação dos jogadores

Para dar sequência à investigação, o MP-AC solicitou a coleta de imagens, registros e documentos da partida relacionada ao caso, e também pediu à Deam o compartilhamento do inquérito policial. A instituição deu prazo de dez dias para resposta dos órgãos acionados.

O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no sábado (14). O delegado Alcino Souza, que estava de plantão, informou que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo ele, as mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência naquele momento e foram encaminhadas para atendimento médico.

As vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. "Indicaram os nomes, o local que poderiam estar, que é o alojamento. Eu reuni uma equipe e fomos até o local. É uma casa bem grande, onde ficam vários jogadores, e lá conduzi o Erick Serpa para a delegacia. Os outros não estavam", afirmou o delegado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Ainda conforme a polícia, as mulheres foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas aos abusos posteriormente. "Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação", resumiu Alcino Souza.

Nessa quarta-feira (18), Alex Pires Júnior (Lekinho), Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario tiveram a prisão temporária mantida na audiência de custódia e devem ficar detidos por até 40 dias. Eles foram levados ao Complexo Prisional de Rio Branco, onde já estava Erick Serpa.

Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. O caso continua sob investigação das autoridades competentes.