Médica formada pela USP é condenada a 3 anos por golpe em lotérica após desvio de formatura
Médica da USP condenada a 3 anos por golpe em lotérica

Médica formada pela USP recebe pena de 3 anos por golpe em lotérica após desvio de fundos de formatura

Alicia Dudy Muller Veiga, médica formada pela Universidade de São Paulo (USP), foi condenada a 3 anos de reclusão em regime inicial semiaberto por aplicar um golpe de R$ 192,9 mil em uma lotérica na Zona Sul da capital paulista. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (26) pela juíza Adriana Costa, da 32ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, e inclui o pagamento de um salário mínimo como multa.

Detalhes do caso na lotérica

Segundo o Ministério Público, a então estudante solicitou R$ 891,5 mil em apostas e afirmou que realizaria transferências via Pix para quitar os valores. No entanto, quando as apostas já somavam R$ 193,8 mil, a gerente da lotérica desconfiou da transação e constatou que havia apenas um agendamento de transferência, sem o pagamento efetivo. Alicia apresentou um extrato de transferência no valor de R$ 891,50 e deixou o local com cinco apostas de R$ 38,7 mil cada uma.

A juíza destacou na decisão que há prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, baseando-se em investigações que apontam uma sequência de fatos iniciada em abril de 2022. Naquele período, a estudante realizou quase R$ 20 mil em apostas na Lotofácil, todas pagas via Pix, e posteriormente passou a fazer apostas em valores cada vez mais altos, totalizando R$ 461 mil segundo a polícia.

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Conexão com o desvio da formatura da USP

O caso na lotérica está ligado a investigações sobre o desvio de quase R$ 1 milhão dos fundos da festa de formatura de uma turma do curso de Medicina da USP. Anteriormente, o Ministério Público denunciou Alicia oito vezes por estelionato e uma por estelionato tentado nesse inquérito. De acordo com a comissão de formatura, a suspeita afirmou, por meio de mensagens no WhatsApp, que transferiu a quantia para uma conta pessoal, com o desvio sendo percebido apenas no dia 6 de janeiro deste ano.

Investigações do Instituto de Criminalística analisaram celulares, um smartwatch, cartões bancários e um HD externo, recuperando conversas em que Alicia falava sobre gastos e mudanças de versões. Nas mensagens, ela expressou arrependimento, descrevendo que estava "vivendo o próprio inferno", e comentou sobre tentativas de recuperar o dinheiro com apostas na Lotofácil. O carro de luxo alugado com o dinheiro dos alunos já foi devolvido à empresa em fevereiro.

A polícia também apura se o dinheiro utilizado nas apostas não pagas pode ter origem nos valores desviados da formatura. O g1 entrou em contato com a defesa de Alicia Dudy Muller Veiga e aguarda posicionamento, enquanto a médica já saiu da delegacia após prestar depoimento nas investigações.

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