Justiça concede redução de pena para condenada no emblemático 'Crime da Berrini' após comprovação de estudos
A Justiça do Estado de São Paulo emitiu uma decisão favorável ao pedido da defesa de Eliana Freitas Areco Barreto, condenada no caso que ficou conhecido como 'Crime da Berrini', reduzindo sua pena em 105 dias. Atualmente, Eliana cumpre regime semiaberto na Penitenciária Feminina P1, localizada no município de Tremembé, no interior paulista.
Estudos acadêmicos fundamentam pedido de remição da pena
O pedido inicial foi protocolado pela defesa em janeiro deste ano, com a advogada Isadora Amêndola argumentando que sua cliente possui autorização judicial para estudar fora do presídio e, efetivamente, concluiu dois semestres da graduação em Enfermagem durante o ano passado. A defesa anexou ao processo certificados que comprovam 480 horas de aulas regulares cursadas nos dois primeiros semestres de 2025, além de outras 780 horas de atividades complementares realizadas no mesmo período.
Com base nesses documentos, a Justiça acatou o pedido e determinou a redução da pena, reconhecendo o esforço educacional da ré como um fator positivo para sua reintegração social.
Novo pedido de redução já foi protocolado pela defesa
Após a decisão favorável, a defesa de Eliana não perdeu tempo e protocolou um novo pedido de remição na terça-feira, dia 10. Desta vez, a solicitação busca uma redução adicional de 42 dias, fundamentada em dois aspectos:
- Trabalho na prisão: Eliana trabalhou por um total de 91 dias, entre agosto e dezembro do ano passado.
- Leitura de livros: Ela leu três obras: A Virgem na Jaula, O Ano de 1993 e Rio Acima.
Este novo pedido ainda não tem prazo definido para ser apreciado pela Justiça. A advogada Isadora Amêndola, quando contatada, preferiu não se manifestar sobre o caso.
Contexto histórico: a condenação no 'Crime da Berrini'
Inicialmente, a professora Eliana foi condenada a 24 anos de prisão por homicídio doloso triplamente qualificado, com as agravantes de ter pago pelo crime, motivo torpe e dissimulação, além do agravante específico de o crime ter sido cometido contra o marido. O julgamento ocorreu em dezembro de 2020.
Em 2022, a Justiça acatou um pedido da defesa e reduziu a pena para 21 anos, 4 meses e 15 dias de prisão, mantendo a gravidade da condenação, mas ajustando-a conforme recursos legais.
Os detalhes do crime que chocou São Paulo
O Ministério Público acusou Eliana e seu amante, o inspetor de segurança Marcos Fábio Zeitunsian, de contratarem o pistoleiro Eliezer Aragão da Silva por R$ 5 mil para simular um assalto e matar Luiz Eduardo de Almeida Barreto, marido de Eliana.
A vítima foi morta a tiros na tarde do dia 1º de junho de 2015, quando voltava do almoço com um colega de trabalho, na rua James Watt, uma travessa da Avenida Luís Carlos Berrini, no Brooklin, zona sul da capital paulista. O local do crime deu nome ao caso.
Segundo a acusação, o casal de amantes planejou o homicídio porque Eliana desejava se separar do empresário. Eles tinham planos de se casar, morar juntos e utilizar o dinheiro da herança da vítima para abrir um negócio para o inspetor. Eliana e Luiz Eduardo moravam em Aparecida, no Vale do Paraíba, mas ele trabalhava em São Paulo. O casal teve dois filhos. Após o crime, a vítima foi enterrada em Guaratinguetá.
O caso continua a gerar repercussão na Justiça paulista, com a defesa de Eliana buscando continuamente formas legais de reduzir sua pena através de atividades produtivas e educacionais durante o cumprimento da sentença.



