Justiça do Acre concede liberdade a dois jogadores do Vasco-AC envolvidos em caso de estupro coletivo
Após quase um mês de prisão, a Justiça do Acre aceitou um pedido da defesa e decidiu soltar os jogadores do Vasco-AC Alex Pires Júnior e Matheus Silva. A decisão ocorre nesta terça-feira (10) em Rio Branco, onde os atletas estão detidos desde que se entregaram à polícia no dia 17 de fevereiro.
Investigação e prisões no caso de violência sexual
Os jogadores são investigados pelo estupro coletivo de duas mulheres dentro do alojamento do clube no dia 13 de fevereiro, em Rio Branco. O caso resultou na prisão em flagrante de Erick Luiz Serpa Santos Oliveira no dia 14 de fevereiro e na decretação de prisão temporária dos outros três no dia 17 daquele mês.
Com relação a Erick e Brian Peixoto Henrique Iliziario, ambos seguem presos preventivamente no Complexo Penitenciário de Rio Branco. A Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) concluiu o inquérito e indiciou Brian e Erick pelo estupro das duas mulheres.
Defesa comemora decisão judicial
O advogado de Alex, Robson Aguiar, confirmou ao g1 que aguarda o alvará de soltura. "Saiu a decisão e estou aguardando o alvará de soltura, mas já estou indo para a unidade prisional buscá-lo. Do Matheus também saiu, vai ser solto junto com o Alex. O Brian e o outro jogador seguem presos preventivamente", afirmou.
Segundo a defesa, o relatório final da delegada Elenice Frez foi crucial para que o juiz concedesse a liberdade. "O relatório final da delegada Elenice [Frez] foi crucial para que o juiz concedesse a liberdade que a gente já havia pedido anteriormente", complementou o advogado.
Detalhes da denúncia e investigação
O caso foi registrado na Deam em 14 de fevereiro, menos de um dia após o crime. À época, o delegado Alcino Souza informou que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. As mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência e foram encaminhadas para atendimento médico.
As vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. A polícia informou que as mulheres foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas aos abusos posteriormente.
Repercussão e investigações paralelas
No dia 19 de fevereiro, o Vasco-AC fez sua estreia na Copa do Brasil na Arena da Floresta, em Rio Branco, e acabou eliminado pelo Velo Clube nos pênaltis. Antes da partida, o time acreano chamou atenção ao entrar em campo com camisas que estampavam os nomes de três dos quatro atletas presos.
A ação foi repudiada em conjunto pelos ministérios das Mulheres e do Esporte, que classificaram como 'inaceitável' a homenagem. O gesto dos atletas também é investigado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC), que vai analisar se houve possível omissão da justiça desportiva do estado.
Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. Todos os jogadores envolvidos negam o crime.



