Jogadores do Vasco-AC têm prisão temporária mantida por suspeita de estupro coletivo
Os jogadores Alex Pires Júnior (Lekinho), Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario, do Vasco da Gama-AC, tiveram a prisão temporária mantida na audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (18). Eles são investigados por um suposto estupro coletivo de duas mulheres no alojamento do time em Rio Branco, ocorrido na última sexta-feira (13). A decisão judicial determina que os atletas fiquem detidos por até 40 dias, enquanto as investigações prosseguem.
Contexto do caso e prisões anteriores
O caso envolve quatro jogadores no total: Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior. Erick Serpa já estava preso preventivamente desde domingo (15), após ser detido em flagrante no sábado (14). Os outros três se apresentaram à polícia na terça-feira (17), em um movimento coordenado com seus advogados. As investigações apontam que as vítimas foram ao alojamento para encontros consensuais, mas teriam sido submetidas a abusos posteriormente, conforme relatos à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
Defesa dos jogadores e recursos judiciais
Os advogados dos jogadores anunciaram planos para entrar com recursos contra a decisão de manter as prisões. Atevaldo Santana, que defende Matheus e Brian, afirmou que a defesa irá apresentar um pedido de habeas corpus para tentar reverter a situação. "Embora o juiz não tenha alterado da vara das garantias, agora à tarde a defesa irá entrar com pedido de habeas corpus para reverter a situação dos jogadores", explicou Santana. Robson Aguiar, advogado de Alex Pires Júnior, também confirmou que está preparando recursos similares, tanto para o tribunal quanto para o juiz que decretou a prisão.
Declarações dos envolvidos e negações
Ao sair da delegacia, Lekinho conversou com a imprensa e negou veementemente as acusações. "Eu tô aqui de livre e espontânea vontade, sei que não fiz nada de errado. Conversei com o Eric [treinador], mostrei tudo que tinha, tenho a mensagem da pessoa que, na verdade, nem me acusou, mas meu nome está sendo citado. Estou aqui para dar minha versão, estou à disposição da Justiça, porque sei que não fiz nada, não cometi nenhum tipo de crime, Deus é justo e vou provar isso na Justiça", declarou o jogador. Por outro lado, o advogado Atevaldo Santana classificou a denúncia como frágil e acusou as vítimas de terem ido ao local para "fazer programa", argumentando que o comportamento delas não condiz com o de pessoas que sofreram abuso.
Posição do clube e treinador
O treinador Eric Rodrigues expressou apoio aos jogadores, mas destacou que o clube não compactua com violência. "A gente acredita na autoridade policial e na Justiça. Vão fazer o que tiver que ser feito. Quero deixar bem claro que, com o clube, eles erraram e não estamos aqui para passar a mão na cabeça, é terminantemente proibido acesso de qualquer pessoa ao alojamento que não sejam dos alojados, principalmente de mulheres", afirmou Rodrigues. Ele também mencionou o estresse vivido pelos familiares dos jogadores e reforçou que, se culpados, os atletas devem ser punidos. "Esses jogadores vieram para cá confiando em mim. Vocês não sabem o inferno que está sendo minha vida esses dias, tem mais de 20 alojados lá, familiares de todos desesperados e preocupados. Que possam se defender, provar a inocência. Se forem inocentes, que provem, se não forem, que paguem", completou.
Detalhes das investigações e próximos passos
O caso foi registrado na Deam no sábado (14), após as vítimas procurarem atendimento médico na Maternidade Bárbara Heliodora. O delegado Alcino Souza, que estava de plantão, relatou que as mulheres tinham medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a formalizar a denúncia. "Indicaram os nomes, o local que poderiam estar, que é o alojamento. Eu reuni uma equipe e fomos até o local. É uma casa bem grande, onde ficam vários jogadores, e lá conduzi o Erick Serpa para a delegacia. Os outros não estavam", disse Souza. A polícia continua investigando os fatos, e os jogadores devem ser encaminhados ao Complexo Prisional Francisco d’Oliveira Conde (FOC) em Rio Branco, conforme determinação judicial.