Inquérito sobre morte de agricultor por PMs em Pelotas tem prazo prorrogado por mais duas semanas
O prazo para conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o caso do agricultor Marcos Nörnberg, morto a tiros dentro de sua residência por policiais militares na zona rural de Pelotas, na Região Sul do Rio Grande do Sul, foi oficialmente prorrogado. A corporação confirmou que serão necessárias mais duas semanas de trabalhos, contando a partir desta segunda-feira (16), para finalizar as investigações.
Motivos da prorrogação e detalhes da investigação
Segundo o corregedor-geral da Brigada Militar, coronel Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, a extensão do período de investigação se deve à necessidade de realizar uma reprodução simulada dos fatos, que está prevista para o fim do mês. Paralelamente, a Polícia Civil também abriu um inquérito para apurar o ocorrido, que inclui a investigação de possíveis crimes contra a viúva da vítima, Raquel Nörnberg.
Os 18 policiais militares envolvidos na ação continuam afastados de suas funções, e as armas utilizadas durante o incidente foram apreendidas para análise. Em manifestação feita logo após o fato, o então comandante-geral da Brigada Militar, Cláudio Feoli, admitiu que houve um "grande equívoco" na operação.
Registro em vídeo e relatos da família
Imagens de uma câmera de monitoramento, obtidas pela RBS TV, registraram a ação policial que resultou na morte do agricultor. No áudio captado, é possível ouvir ao menos 18 tiros sendo disparados. Algum tempo depois, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local para prestar socorro, mas Marcos Nörnberg já havia falecido no local.
O fato ocorreu na madrugada de 15 de janeiro. De acordo com a viúva, Raquel Nörnberg, o casal estava dormindo quando percebeu movimentação no pátio da propriedade. Marcos teria saído para verificar a situação e, em seguida, ela ouviu gritos e disparos. A mulher relata que pensou se tratar de um assalto e que o marido buscou a arma que mantinha na residência para se proteger.
A Brigada Militar afirma que o homem atirou contra os agentes, mas a esposa discorda veementemente dessa versão. "Em nenhum momento ele saiu de dentro da nossa casa. Ele foi alvejado dentro da nossa casa", declarou Raquel. O endereço do casal foi informado por suspeitos de Pelotas, que foram presos pela Polícia Militar do Paraná. Foi a corporação paranaense que repassou as informações para a Brigada Militar, desencadeando a operação que terminou em tragédia.
O caso continua sob intensa investigação, com autoridades buscando esclarecer todos os detalhes para garantir justiça e responsabilização adequada.



