Guarda Municipal é condenado a 10 anos por homicídio de vizinho em condomínio de Porto Alegre
O júri do homem acusado de matar o vizinho em um condomínio na zona sul de Porto Alegre foi concluído na madrugada desta quarta-feira (11). O Conselho de Sentença condenou Roger da Motta Carvalho a 10 anos, 1 mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado pelo homicídio de Bruno Saraiva Salgado, um corretor de imóveis de 30 anos.
Detalhes da sentença e perda de cargo público
Na sentença, a juíza Lourdes Helena Pacheco da Silva determinou a perda do cargo público do réu, que era guarda municipal de Porto Alegre. O mandado de prisão foi expedido imediatamente, e ele foi recolhido ao sistema prisional. A magistrada afirmou que não houve comprovação da motivação específica do crime, embora os autos indiquem desentendimentos anteriores entre o réu, a esposa dele e a vítima.
Durante a instrução plenária, quatro testemunhas foram ouvidas, e o réu alegou legítima defesa. A juíza destacou que ficou comprovado que o réu utilizava sua função para se impor sobre vizinhos, acionando a Guarda Municipal com frequência em conflitos no condomínio. Para ela, o crime doloso contra a vida, praticado com armamento institucional, demonstra conduta incompatível com o exercício do cargo público.
Contexto do crime e sobrevivência do cão
O caso aconteceu em 8 de dezembro de 2016. Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime começou após uma discussão por causa do cachorro de Bruno, enquanto ele passeava com o animal pelo condomínio. Durante o desentendimento, Roger fez vários disparos. A vítima, de 30 anos, foi atingida duas vezes no tórax e morreu.
O homicídio ocorreu na presença do enteado do acusado, que na época tinha 10 anos. O cão da vítima, chamado Otto, também ficou ferido, mas sobreviveu e segue sob cuidados de familiares. A defesa de Carvalho, feita pelos advogados Raccius Potter, Diander Rocha e Flávio Karam Jr., emitiu uma nota manifestando respeito à decisão do conselho de sentença e comunicando que irá recorrer.
Este caso chama a atenção para questões de violência urbana e abuso de autoridade, destacando a importância da responsabilidade pública e da justiça em crimes graves. A condenação reforça a necessidade de conduta ética entre servidores públicos e a proteção da vida em comunidades residenciais.



