Caso de família desaparecida no RS: sangue encontrado é humano e ex-marido é principal suspeito
Família desaparecida no RS: sangue é humano, ex-marido preso

Caso de família desaparecida no RS: sangue encontrado é humano e ex-marido é principal suspeito

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul confirmou, nesta quarta-feira (18), que o sangue encontrado na residência de Silvana Germann de Aguiar, desaparecida há 25 dias, é de origem humana. O sumiço da mulher, de 48 anos, e de seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, mobiliza investigadores desde o final de janeiro, em um caso que tem gerado grande comoção na região de Cachoeirinha.

Análises genéticas em andamento

As amostras de sangue coletadas no local seguem em análise para comparação genética, um procedimento crucial que deve indicar se o material pertence a algum dos três desaparecidos. A polícia afirma que ainda não há um prazo definido para a conclusão desses exames, que são realizados no laboratório do Instituto-Geral de Perícias (IGP).

O delegado Anderson Spier, responsável pela investigação, explicou que, além do sangue, foram encontrados vestígios diversos de material genético e impressões digitais durante a perícia realizada no dia 5 de fevereiro. Todos esses elementos foram devidamente coletados e agora são analisados minuciosamente.

Principal suspeito está preso

O principal suspeito do caso é o ex-marido de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente há uma semana. A prisão tem um prazo máximo de 30 dias e foi decretada após a quebra de sigilo telefônico indicar movimentações suspeitas por parte do acusado.

Em nota oficial, a Brigada Militar informou que Cristiano será afastado do serviço policial, enquanto a investigação é acompanhada de perto pela Corregedoria-Geral da corporação. A atual companheira do suspeito também está sendo investigada, e ambos se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos eletrônicos.

Estratégia para despistar desaparecimento

As autoridades confirmaram um detalhe alarmante: no dia 25 de janeiro, data em que o casal de idosos foi visto pela última vez, o telefone fixo de Isail e Dalmira recebeu uma ligação originada do celular de Silvana, quando ela já estava desaparecida. Para os investigadores, a intenção desse telefonema seria criar a falsa impressão de que Silvana estaria viajando, uma estratégia calculada para retardar o início das buscas.

Além disso, uma publicação nas redes sociais de Silvana, afirmando que ela havia sofrido um acidente em Gramado, também foi identificada como uma tentativa de despiste, já que o acidente nunca aconteceu de fato.

Linha do tempo do caso

O desaparecimento da família Aguiar segue uma sequência de eventos que começou antes mesmo do sumiço:

  • 2 de janeiro: Silvana solicita o contato do Conselho Tutelar em um grupo de mensagens.
  • 9 de janeiro: Ela comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido desrespeitava as restrições alimentares do filho do casal.
  • 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez. Câmeras de segurança registraram movimentação atípica de veículos em sua residência durante a noite.
  • 25 de janeiro: Os pais de Silvana saem para procurá-la após serem alertados por vizinhos sobre a postagem falsa. Eles tentam registrar o desaparecimento, mas a delegacia estava fechada. Após visitarem o ex-genro, Cristiano, são vistos entrando em um carro não identificado e não aparecem mais.
  • 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente.
  • 7 de fevereiro: O celular de Silvana é encontrado escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais.
  • 10 de fevereiro: Cristiano é preso temporariamente. Familiares e amigos realizam um protesto em Cachoeirinha pedindo solução para o caso.

Perfil da família

Silvana Germann de Aguiar é filha única do casal e mora na mesma região dos pais. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e trabalha em conjunto com Isail e Dalmira, que são donos de um pequeno mercado que funciona anexo à residência da família. Vizinhos e parentes descrevem o casal de idosos como pessoas queridas e tranquilas, que mantinham um bom relacionamento com a filha.

O filho de Silvana e Cristiano foi encaminhado para a casa dos avós paternos, enquanto a investigação continua a todo vapor. A polícia já descartou a hipótese de sequestro devido à ausência de pedido de resgate e trata o caso como crime, com todas as atenções voltadas para desvendar o paradeiro da família Aguiar.