Falso médico que simulou morte tem julgamento marcado enquanto MP investiga advogada
Falso médico que simulou morte tem julgamento marcado

Julgamento de falso médico avança enquanto Ministério Público investiga nova suspeita de fraude

O Tribunal do Júri de Sorocaba, no interior de São Paulo, prepara-se para um dos casos mais emblemáticos da justiça local. Nesta quinta-feira (26), às 9h, será realizado o julgamento de Fernando Henrique Dardis, réu por homicídio, exercício ilegal da medicina e falsificação de documento público. A acusação refere-se à morte da paciente Helena Rodrigues, ocorrida em 2011, após uma consulta médica fraudulenta.

Nova investigação paralela envolve advogada suspeita

Enquanto o processo principal avança, a Polícia Civil abriu uma investigação a pedido do Ministério Público de São Paulo para apurar suspeitas contra a advogada Leandra Ferreira dos Santos Bastos. Ela é investigada por ter se apresentado como assistente de acusação no processo contra Fernando Dardis sem ter sido contratada pela família da vítima.

O promotor Antônio Farto Neto, responsável pelo pedido de investigação, ouviu Eliana Rodrigues, filha de Helena, que declarou ao MP não ter contratado a advogada e não reconhecer a assinatura na procuração apresentada no processo. "Tem relevância do ponto de vista instrumental, pois representou interferência indevida no procedimento. Há no presente processo uma sucessão de fraudes", afirmou o promotor em documento oficial.

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Histórico de fraudes e tentativa de fuga

O caso ganhou contornos ainda mais complexos quando, em janeiro de 2025, Fernando Dardis simulou a própria morte para tentar escapar do julgamento por homicídio. A estratégia foi descoberta pelo programa Fantástico, da TV Globo, levando à sua detenção em junho do mesmo ano. Esta será a segunda tentativa de realizar o julgamento, já que a primeira data, em outubro do ano passado, foi adiada porque a única testemunha de acusação apresentou atestado médico.

O Ministério Público pediu que a filha da vítima seja ouvida no julgamento desta quinta-feira, argumentando que, embora a suposta fraude da advogada não tenha relação direta com o homicídio, o fato é importante para o entendimento completo do caso.

Relembrando o caso que chocou Sorocaba

Helena Rodrigues procurou Fernando Dardis em 2011 com sintomas de infarto, acreditando estar diante de um profissional da saúde. O acusado, que se identificava como "doutor Ariosvaldo", atendeu a paciente na Santa Casa de Sorocaba e diagnosticou apenas dor nas costas, prescrevendo medicamentos para aliviar a dor lombar.

No dia seguinte, após tomar a medicação, Helena sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu em sua residência. A polícia descobriu posteriormente que Fernando não possuía formação médica, caracterizando exercício ilegal da profissão.

Outras acusações e posicionamentos

Fernando Dardis responde preso pelo crime e também é acusado pela morte de Therezinha Monticelli Calvim, caso que ainda aguarda julgamento. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) acompanha as investigações.

A defesa de Fernando informou que pediu à Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que investigue a conduta da advogada Leandra, sugerindo que ela possa ter cometido o crime de patrocínio infiel. Sobre as fraudes citadas pelo MP, os advogados afirmaram que não estavam à frente do caso na época e aguardam a conclusão da investigação.

Em relação à acusação de homicídio, a defesa adiantou que a tese será demonstrar que a conduta de Fernando não tem ligação com a morte da paciente, baseando-se em provas técnicas do processo. A TV TEM tentou contato com a advogada Leandra Ferreira dos Santos Bastos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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